Thomas Carlyle

Historiador e ensaísta de nacionalidade inglesa, Thomas Carlyle nasceu a 4 de dezembro de 1795, na localidade de Ecclefechan, na Escócia. O pai, pedreiro e pequeno agricultor de firmes convicções calvinistas, conseguiu enviá-lo, com a idade de quinze anos, para a Universidade de Edimburgo, de onde o jovem Thomas obteve o seu bacharelato em 1813.
Passou depois a ensinar, primeiro na Academia de Annan, de 1814 a 1816, e a seguir na Escola Secundária de Kircaldy, de 1816 a 1818. Ingressou entretanto no Seminário da Igreja Anglicana, mas trocou a Teologia pelo Direito em 1818, acabando, pouco tempo depois, por abandonar estes estudos. Retomou então a atividade docente, agora como tutor privado, e até 1822. Por essa altura, decidiu tentar a sua sorte como escritor, pelo que começou a trabalhar na biografia do poeta alemão Schiller, que foi aparecendo na London Magazine entre 1823 e 1824, e que seria publicada na versão definitiva de The Life of Schiller em 1825. Contribuiu também para a Edinburgh Encyclopedia, a Edinburgh Review e a Frazer's Magazine.
A partir de 1824 pôde dedicar-se por inteiro à escrita, procurando especializar-se na literatura alemã, que conseguiu divulgar em grande medida ao público inglês. Publicou a tradução de uma obra de Goethe, Wilhelm Meister's Apprenticeship (1824) e uma antologia crítica de romancistas alemães, German Romance: Specimens of Its Chief Authors, With Biographical and Critical Notes (1827). Em 1826, Carlyle casou com Jane Baillie Welsh, filha de um médico e de educação exemplar, que saberia manter um círculo de amizades que contava com muitos nomes eminentes da cultura da época vitoriana. O casal mudou-se para Dumfriesshire, mas o isolamento causou uma impressão negativa na jovem esposa. Ao fim de um ano decidiram ir viver para a propriedade de família de Jane, onde Carlyle se concentrou na escrita.
Durante uma visita a Londres, em 1831, Carlyle teve a ocasião de conhecer John Stuart Mill, o qual, por sua vez, o apresentou ao ensaísta norte-americano Ralph Waldo Emerson. Acabou por se mudar para Londres, em 1834, após o sucesso da publicação de Sartor Resartus (1833-1834), uma pseudo-autobiografia em que o autor procura expressar a sua espiritualidade. Seguiram-se-lhe uma obra em três volumes sobre a Revolução Francesa, The French Revolution (1837), a edição crítica dos discursos e correspondência de Oliver Cromwell, Oliver Cromwell's Letters and Speeches (1845), e a biografia Frederick II of Prussia (1858-1865). Carlyle teve que rescrever The French Revolution: tendo enviado o manuscrito original a John Stuart Mill, a empregada deste queimou-o julgando tratar-se de papéis sem importância. Mill ofereceu a Carlyle uma compensação monetária de duzentas libras, mas este último contentou-se com cem.
Em 1866 faleceu-lhe a esposa, e o desgosto fez com que Carlyle se retirasse da vida pública e desinteressasse da escrita. Nesse mesmo ano, foi nomeado reitor da Universidade de Edimburgo e, em 1874, recebeu a Ordem de Mérito da Prússia. Recusou no entanto um título nobiliárquico que lhe foi proposto por Disraeli. Foi o grande introdutor do romantismo alemão em Inglaterra.
Carlyle faleceu a 5 de fevereiro de 1881, em Londres.
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