Thomas De Quincey

Escritor inglês, Thomas De Quincey nasceu em 1785, na parte aburguesada da cidade de Manchester. Filho de um abastado comerciante de têxteis, estudou nas escolas de Bath e de Winkfield, terminando os estudos secundários na Manchester Grammar School, de onde fugiria, apenas com dezassete anos de idade, para o País de Gales, com a cumplicidade da sua mãe e do seu tio.
Seguidamente, entre 1802 e 1803, viveu em Londres, em estado de pobreza quase absoluta, antes de regressar ao lar familiar. Daí partiu, em 1804, para ingressar no Worcester College, em Oxford, onde começou a utilização de láudano, uma solução de ópio em álcool geralmente utilizada para fins medicinais, como alívio para as enxaquecas agudas de que se queixava. Mantinha um decantador com esta substância na sua mesa de cabeceira, e foi aumentando as doses a passo firme.
Depois de ter deixado Oxford, sem no entanto ter obtido qualquer diploma, De Quincey tornou-se, por volta de 1807, amigo próximo do escritor romântico Coleridge, grande consumidor de ópio, que o apresentou a Robert Southey e a William Wordsworth. Em 1809, foi viver com eles para a aldeia de Grasmere, no idílico Lake District. Sofrendo uma série de enfermidades debilitantes entre 1812 e 1813, De Quincey começou a tomar ópio, tornando-se, neste último ano, um consumidor diário. No entanto, teria conseguido controlar o seu vício até cerca de 1817. Contraiu matrimónio com Margaret Simpson, filha de um lavrador, de quem teve oito filhos. Tendo esgotado a sua fortuna pessoal, começou a ganhar a vida através do jornalismo, tendo chegado a ser nomeado editor de um pequeno jornal conservador, a Westmoreland Gazette. Durante os trinta anos seguintes, conseguiria sustentar a sua família, sobretudo em Edimburgo, graças aos seus contos, artigos e críticas.
Nos princípios da década de 20, e com a mudança para a cidade de Londres, De Quincey deu início a uma fase bastante prolífica na sua carreira. A par de contribuições para o Blackwood's, de Edimburgo, publicou, a partir de 1821, as suas Confissões de um Ópiomano Inglês na London Magazine. Esta sua obra, que seria um sucesso imediato e que acabaria por valer ao autor reputação mundial era, no fundo, um relato da sua vida, tão extasiada como atormentada pelo estupefaciente. De Quincey utilizava o ópio na esperança de aumentar a sua racionalidade e o seu sentido de harmonia.
Em 1827 publicou O Assassínio Como Uma Das Belas Artes e, no ano seguinte, com a morte da esposa, elegeu domicílio em Edimburgo, dando largas ao abuso de ópio. Entre 1841 e 1843, em Glasgow, chegou mesmo ao ponto de se ter que esconder dos credores. De 1853 até à data da sua morte, em 1859, dedicou-se às suas Selections Grave And Gay, From The Writings, Published And Unpublished, By Thomas De Quincey.
Apesar de ter escrito volumosamente, publicou um número escasso de livros, jamais conseguindo ultrapassar constantes dificuldades financeiras. A maior parte da sua obra foi escrita para a imprensa.
Não obstante, a imaginação sensível e introspetiva de Thomas De Quincey, o alcance do seu entendimento e a sua erudição, não puderam deixar de influenciar bom número de autores. "O simples entendimento, por muito útil e indispensável que possa ser, é a faculdade mais maligna no ser humano, aquela em que se deve confiar menos. E, no entanto, a grande maioria das pessoas não depende de nenhuma outra - o que pode servir na vida vulgar, mas não para os propósitos filosóficos." (De Knocking At The Gate In Macbeth, 1823). O rastro do seu onirismo pode ser notado em obras de autores posteriores, como por exemplo, em Edgar Allan Pöe e Charles Baudelaire.

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