Thomas Müntzer

Líder protestante antagónico face a Lutero e ao Luteranismo dominador, entrou em choque e esteve mesmo à frente de movimentos campesinos contra o poder político alemão. Este líder revolucionário acabou por ser eliminado, como o seu movimento, pelos senhores luteranos. Nasceu cerca de 1489, na Alemanha, e faleceu, decapitado, neste país, em Mulhausen, em 1525. Ficou na história por ter sido o fundador dos Anabatistas (do grego ana +batizo, mergulhar de novo). Trata-se de uma designação genérica dada a movimentos religiosos que não reconhecem qualquer validade ou importância ao batismo nas crianças, defendendo que deverá ser ministrado a adultos. Este movimento, impulsionado por Müntzer, surgiu no contexto da reforma Protestante e apoiava-se de forma incondicional e inamovível no princípio luterano da salvação pela fé e no poder da graça divina. As crianças não eram ainda capazes dessa adesão pessoal, livre e consciente à palavra de Deus veiculada pelas Sagradas Escrituras. Defendem também os Anabatistas a não violência e advogam uma salvação assente numa perspetiva apocalíptica do advento do reino de Deus depois do fim do mundo, próximo e iminente. No entanto, uma outra tendência anabatista pendia para a violência e levantamento anti-senhorial, fação onde pontificou, como chefe, Thomas Müntzer.
Müntzer foi de facto o chefe anabatista de grupos de camponeses revoltados, tendo-se convertido numa das figuras mais polémicas e controversas da história alemã de Quinhentos, a par de Lutero e Melanchton, entre outros. Muitos historiadores viram nele o primeiro revolucionário moderno, principalmente na historiografia marxista, enquanto outros o consideraram um "milenarista" utópico dos fins da Idade Média. Thomas Müntzer foi, na verdade, um dos líderes da corrente mais radical dos Anabatistas, impregnada de uma mística revolucionária em termos sociais, económicos e políticos - um "exaltado", que não rejeitava o uso da violência.
Entre 1523 e 1525 liderou turbas de camponeses revoltados na Alemanha contra os senhores. Os camponeses exigiam então liberdade de escolha dos seus pastores, supressão dos dízimos, abolição da servidão, supressão das reservas de caça, etc., peias feudais que o Luteranismo afinal não extinguira, apesar do seu ideário libertador. Mas Lutero defendia a ordem pública e não concordava que os camponeses se revoltassem, pois temia o poder dos senhores, que o guindaram na sua afirmação religiosa. Não gostava nada de Müntzer e considerava-o nocivo, ele e os que o acompanhavam, censurando-lhes a fé apocalíptica. "Que sejam estrangulados", disse mesmo. Viveu-se por isso aquilo que muitos historiadores chamam de "guerra social alemã", na qual tropas camponesas lideradas por Müntzer irromperam contra os senhores pelas cidades dentro, mas acabaram massacradas impiedosamente. Thomas Müntzer acabou por ser capturado depois da derrota na batalha de Frankenhausen e seguidamente supliciado em Mulhausen, na Turíngia (Alemanha), em 1525.
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