Timor

A ilha de Timor é a maior e a mais oriental do arquipélago de Sonda. Este território, atravessado por uma comprida cordilheira de montanhas, compreende cerca de 450 km de comprimento e apresenta uma área de 33 610 km2, entre os mares de Savu e de Timor. Encontra-se separada da Austrália pelo mar de Timor.

As montanhas mais elevadas de Timor são as da parte oriental da ilha, onde se situa o monte Ramelau ou Tata Mailau, o ponto mais alto, que atinge 2950 m de altitude.
A chuva precipita-se quase toda durante a monção de noroeste, que ocorre entre dezembro e março. A natureza do solo é pobre e a vegetação escassa. No entanto, existem diversas árvores que fornecem valiosas madeiras, como o sândalo, o bambu, a madeira rosa e a teca.

A economia da ilha é predominantemente agrícola, baseando-se na exploração de produtos como o arroz, a fruta e o café, complementada pela extração mineira de prata e de ouro.

A composição rácica de Timor é fruto de uma vasta miscigenação de malaios, polinésios e descendentes de papuas, misturados com chineses. Estes últimos constituem uma minoria étnica muito influente na atividade comercial da ilha.

As religiões tradicionais são muito importantes, todavia coexistem comunidades muçulmanas e cristãs, embora estas sejam minoritárias.

As cidades de maiores proporções da ilha são Kupang, a capital da província de Nusatenggara, a sudoeste (corresponde a Timor Ocidental); e Díli, a capital de Timor-Leste.

Na época dos Descobrimentos portugueses, por volta de 1520, os navegadores portugueses chegaram às ilhas orientais da Indonésia, onde iam procurar madeiras. Nesta altura, Timor era uma ilha habitada por uma população pouco homogénea, onde se destacavam os povos melanésio e malaio, distribuídos por um espaço geográfico repartido pelos reinos de Servião e de Benale.

Uma fixação mais efetiva de mercadores e missionários portugueses aconteceu na segunda metade do século XVI. Em Lifau estes contactaram com uma população desconhecedora da escrita e desligada das principais religiões das outras ilhas indonésias. O primeiro capitão português para Solor e Timor foi nomeado em 1585, mas só no início de Setecentos (1702) foi escolhido um governador.

Em 1613, chegaram os comerciantes holandeses que com eles competiram pelo poderio desta ilha. Os holandeses ocuparam a parte ocidental da ilha e empurraram os portugueses para nordeste. Portugueses e holandeses mantiveram-se em conflito até aproximadamente 1662, altura em que a Igreja Católica se instalou em alguns pontos de Timor ocidental.

Mais tarde, nos séculos XIX e XX, os acordos de 1859, 1893, 1898 e 1914 tentaram pôr fim a estas disputas e procuraram estabelecer fronteiras entre as duas possessões. A parte holandesa, com capital em Kupang, veio a integrar em 1950 a República da Indonésia; e a parte portuguesa de Timor, centrada em Díli e a área de OeCussi (ou Oecusi-Ambeno), no noroeste, foram anexadas pelos indonésios em 1975.

À parte o não reconhecimento internacional da anexação, a Indonésia passou a considerar e administrar Timor-Leste como a sua 27.ª província. No território, manteve-se ativo um movimento de guerrilha de luta pela sua autodeterminação.

Em 1999 o regime indonésio começou a dar sinais de abertura e a 30 de agosto do mesmo ano realizou-se um referendo sobre a autodeterminação de Timor-Leste, tendo os resultados sido favoráveis aos independentistas que conseguiram 78,5% dos votos.
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