Tiro

Antiga cidade da Fenícia, cujas origens estão envoltas em mistério até hoje. No século XI a. C., quando atinge o máximo esplendor, Tiro chegou a deter o poder principal da Fenícia e a exercer uma certa hegemonia sobre ela. Nesta época começam as expedições ao Ocidente, nas quais os Tírios tiveram papel preponderante, o que lhes proporcionou o domínio do comércio do Mediterrâneo durante bastante tempo.
No entanto, o poder militar de Tiro foi sempre débil. A cidade estava bem situada em termos de defesa, mas os seus reis não dispunham de forças militares suficientemente poderosas para fundar um império.
O rei da Assíria Assurbanipal II, ao empreender as suas expedições sobre a Fenícia submeteu Tiro, que tal como as restantes cidades vizinhas, reconheceu a sua supremacia, aproveitando esta situação para estender a sua rede comercial até à Mesopotâmia. Uma luta entre Pigmalião (860-814 a. C.) e a princesa Elissa, sua irmã, resultou na emigração desta para o Norte de África, o que originou a fundação de Cartago - que chegou a ser a principal colónia tíria e a herdeira do seu poder no Ocidente. Tiro foi cercada por Esarhaddon e tomada por Sardanápalo. A cidade ficou quase totalmente destruída e levou algum tempo para se reerguer, não conseguindo jamais recuperar a sua antiga importância. No tempo de Etbaal III, Tiro estabeleceu uma aliança contra Nabucodonosor da Babilónia que, em 574, a sitia e toma, fazendo prisioneiro o seu rei.
Durante a época helenística, Tiro passou várias vezes do poder dos Seléucidas para os Ptolomeus, acabando por ficar sob o domínio dos primeiros. Antíoco IV (175-164), cujo reinado foi de florescimento para Tiro, deu novo esplendor ao templo de Baal-Melkart. Mais tarde, a Fenícia passaria por um período de anarquia e pelo domínio efémero de Tigranes da Arménia. Em meados do século I a. C. Pompeu estabeleceu solidamente a dominação romana, sob a qual Tiro voltou a adquirir alguma importância económica.
Após o domínio dos romanos, o nome de Tiro eclipsa-se. O desaparecimento do comércio deve ter contribuído para a sua decadência. Ainda que seja provável que o seu lugar nunca tenha sido completamente abandonado, a tradição antiga perdeu-se e o atual sítio de Sur ou Sor em nada recorda a antiga e ilustre metrópole.
A grandeza de Tiro advém do facto de ser uma cidade mercantil. Nos seus últimos tempos de independência a cidade adotou uma organização republicana. Mediante o pagamento de um tributo aos romanos, conseguiu que estes respeitassem as suas leis, conservando uma semi-independência. As suas colónias pagaram tributo até uma época muito avançada.
No tempo dos Romanos a cidade era um importante centro de produção de púrpura, sendo mais apreciada que a de outro qualquer lugar.
Tiro, com Biblos, foi também classificada Património Mundial pela UNESCO.
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