Tomás Ribeiro

Político e literato português, Tomás António Ribeiro Ferreira nasceu a 1 de julho de 1831, em Parada de Gonta, e morreu a 6 de fevereiro de 1901, em Lisboa.
Oriundo de uma família de lavradores abastados, formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, começando a exercer em Tondela, por onde foi eleito deputado em 1862 e onde viria a presidir à Câmara Municipal. Foi o início de uma série de cargos públicos, série essa que viria a incluir o de secretário-geral da Índia (aí fundando, em Goa, o Instituto Vasco da Gama), o de governador-civil do Porto e de Bragança, o de diretor-geral do Ministério da Justiça, o de presidente da Junta de Crédito Público e o de vogal do Tribunal de Contas.
Filiado no Partido Regenerador, foi eleito deputado pela segunda vez em 1875 e passou a integrar a Câmara dos Pares em 1882. Tomás Ribeiro foi várias vezes ministro: em 1878, foi nomeado ministro da Marinha, num gabinete de Fontes Pereira de Melo, a quem esteve muito ligado; em 1879, assumiu a pasta da Justiça; em 1881, foi ministro do Reino; em 1890, tornou-se responsável pelas Obras Públicas.
Enquanto titular da pasta da Justiça, coube-lhe assinar o importante decreto de 1879 que reconheceu a liberdade de consciência aos cidadãos não-católicos, tanto no casamento como no batismo.
Quando se restabeleceram, em 1895, as relações diplomáticas com o Brasil, Tomás Ribeiro foi nomeado ministro junto do governo brasileiro.

Enquanto estudante em Coimbra, onde conviveu com o grupo de poetas ultrarromânticos ligados à revista O Novo Trovador e se relacionou com António Feliciano de Castilho, Tomás Ribeiro dedicou-se igualmente à criação poética.
Após a sua formatura, publicou um poemeto intitulado Os Meus Trinta Anos. Em 1862 foi admitido na Academia das Ciências de Lisboa. Nesse mesmo ano, publicou o poema D. Jaime ou a Dominação de Castela, com um prefácio de António Feliciano de Castilho, que o tornou célebre e viria a desencadear uma acesa polémica literária.
O êxito de D. Jaime foi secundado pelo do poema A Delfina do Mal (1868) e pelo de coletâneas de poesia como Sons que Passam (1868) e Vésperas (1880). Nos dois volumes das suas crónicas de viagem, Jornadas (1873-1874), resultantes da sua passagem pela Índia, acrescentou às notações de exotismo orientalista uma intenção fortemente patriótica de celebração de "algumas das nossas glórias, tão cobertas por aí da ferrugem dos tempos, das invejas e das ingratidões". Colaborou em periódicos como a Revista Contemporânea de Portugal e Brasil e Artes e Letras e fundou os jornais políticos Repúblicas, O Imparcial e A Opinião, todos de duração efémera.
Apesar da influência de um certo realismo, presente no tom coloquial e no prosaísmo descritivo de alguns dos seus versos, a poética de Tomás Ribeiro, implícita na sua obra e manifesta nos textos de crítica literária que escreveu, a pretexto dos seus livros ou da produção de outros escritores - prefaciou obras de Rodrigues Cordeiro, Maria Amália Vaz de Carvalho e Camilo Castelo Branco, seu amigo e admirador, entre outros -, é ainda romântica: na conceção do poeta como ser solitário e excecional ("Cismar é a minha sina; o êxtase, a minha poesia"); na defesa da inspiração em detrimento das regras ("deixai, deixai que eu ande imune / por todas as paragens do infinito / a sabor dos caprichos do meu estro!"); na apologia da natureza como fonte suprema da intuição artística ("o meu berço alpestre acalentou-me ao som dos cantos livres e augustos da natureza"); na valorização da verdade do sentimento em desfavor da verdade da razão ("virá uma nova escola amparar as conquistas da razão com a elevação do sentimento, porque a natureza sempre triunfa por fim").
Como referenciar: Tomás Ribeiro in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-12 13:46:27]. Disponível na Internet: