Tomé Barros Queirós

Político português, Tomé José de Barros Queirós nasceu a 2 de fevereiro de 1872, em Quintãs, Ílhavo, e morreu a 5 de maio de 1926, em Lisboa. Apesar de pertencer a uma família instruída - o seu tio-bisavô, o desembargador Joaquim José de Queirós, foi um dos líderes da revolução liberal de 1820 - e de grandes pergaminhos no liberalismo em Portugal, veio para Lisboa com apenas oito anos, pois seu pai, caído na pobreza, foi obrigado a procurar forma de sustento para a família na capital, trazendo o filho consigo.
Desde cedo começou a trabalhar, tendo experimentado várias profissões, como aprendiz de oficina, marçano e caixeiro. Nesta última, conseguiu prosperar, pois acabou por se tornar proprietário da casa José de Oliveira. Só aprendeu a ler e a escrever quando era já adulto, matriculando-se, já depois de casado, em aulas noturnas numa escola comercial. Como caixeiro, foi mesmo um dos fundadores de A Voz do Caixeiro e colaborador do O Caixeiro. Entretanto, em 1888, quando ainda tinha somente dezasseis anos, aderiu ao Partido Republicano, onde se destacou como um membro ativo, chegando a ser presidente da junta de freguesia de Santa Justa, entre outras incumbências partidárias e autárquicas. Notabilizou-se, na câmara de Lisboa, onde colaborou em vereações como especialista no saneamento das finanças municipais. A câmara de Lisboa foi determinante para o crescimento do movimento republicano, pois a sua administração estava dominada pelos republicanos, assumindo Barros Queirós um papel relevante na sua revitalização financeira. Esta sua especialização em saneamentos financeiros granjeou-lhe notoriedade pública e política depois da implantação da República, fazendo carreira nos quadros do ministério das Finanças, chegando a diretor geral da Fazenda Pública. A primeira reforma tributária da República foi mesmo da sua autoria, intervindo também nos serviços fiscais e aduaneiros. Com alguns industriais, fundou a seguradora Mutualidade Portuguesa, tendo sido administrador de outras companhias estatais. Foi deputado às assembleias constituintes, tendo sido vice-presidente da Câmara de Deputados e trabalhado em várias comissões parlamentares (finanças, correios, legislação civil e comercial, etc.). Foi um ativo parlamentar, tendo sido eleito deputado e várias legislaturas. Autor de inúmeros pareceres e propostas, destacou-se com a sua opinião sobre a Lei de Receita e Despesa de 1912-1913.
Fez parte do Partido da União Republicana, de Brito Camacho, aderindo depois à União Liberal Republicana e mais tarde ao Partido Nacionalista, de que foi chefe de bancada parlamentar. Durante esta sua trajetória partidária, colaborou no jornal A Luta. Em 1915 foi ministro das Finanças, cargo que desempenhou novamente em 1921, ano em que foi simultaneamente chefe de governo, entre 23 de maio e 30 de agosto. Entretanto, era convidado para muitos cargos públicos, coloniais ou de representação do Estado, todos tendo declinado, porém. Recusou mesmo o convite de meios republicanos para se candidatar à presidência da República.
Foi, todavia, nos Caminhos de Ferro Portugueses que mais se distinguiu como administrador público de grande qualidade e méritos de gestor financeiro. Era uma figura republicana muito respeitada, sendo consultado amiúde acerca de questões tributárias e de alta finança. Caso notável, se recordarmos que não era mais do que um autodidata que trilhou o seu próprio caminho a partir da condição de simples caixeiro, guindando-se ao topo do mundo da política e da vida pública. Desde sempre lhe foi atribuída uma conduta exemplar em termos morais, de honestidade pública e privada, um intransigente republicano, contudo, ainda que tolerante.
Como referenciar: Tomé Barros Queirós in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-16 23:55:15]. Disponível na Internet: