toquenismo

A expressão "Tio Tom" foi generalizada a partir de uma obra literária, o Uncle Tom's Cabin, de Hariet Beechr Stowe, que tinha como personagem o Tio Tom, o negro da casa que era usado pelo senhor para controlar os negros da plantação. Este termo foi posteriormente utilizado para traduzir a situação social de desvantagem dos negros americanos apesar de alguns sinais aparentes de evolução ou mudança positivas. Com um sentido pejorativo, a expressão foi usada indistintamente tanto no seio da comunidade afro-americana como fora dela e analisada tanto nos meios universitários como nos meios de comunicação.
Esta política que procura defender os interesses da comunidade branca foi analisada e estudada por vários autores americanos, como foi o caso de Ira Katznelson. Ambos os termos "Tio Tom" e "toquenismo" foram utilizados pelos líderes históricos dos movimentos de luta pela defesa dos direitos dos afro-americanos, como foi o caso de Martin Luther King e Malcom X. Segundo estes líderes, o facto de existirem elementos da comunidade afro-americana em lugares de destaque da sociedade não correspondia nem à real representação dos interesses desta comunidade nem à sua intervenção específica no desenvolvimento das condições económicas, sociais e humanas dos negros nos EUA. Assim, o toquenismo teria como objetivo fazer passar a mensagem de uma evolução nas relações entre brancos e negros e de uma aparente aceitação por parte da classe económica e politicamente dominante dos direitos da comunidade afro-americana, quando na realidade seriam os interesses da classe dominante que estariam a ser assegurados atrás de uma fachada de democracia e pluralismo, impedindo também que reais esforços ou medidas práticas de implementação dos direitos da comunidade afro-americana fossem levados a cabo.

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