Torquato Tasso

Poeta italiano dos fins da Renascença, nasceu a 11 de março de 1544 em Sorrento, Itália, e morreu a 25 de abril de 1595, em Roma.
A sua infância foi marcada pelo infortúnio familiar. Em 1552, o seu pai, o poeta e cortesão Bernardo Tasso, acompanhou o exílio do príncipe de Salerno, ao mesmo tempo que os bens da família eram confiscados; a mãe morreu em 1556, enquanto, em 1558, a irmã escapou por pouco da morte quando os turcos atacaram Sorrento. Contudo, estes acontecimentos não impediram Tasso de libertar o seu génio e começar, em 1559 (em Veneza), a obra épica Gerusalemme, que retratava a Primeira Cruzada que libertou Jerusalém do domínio turco em 1099, mas rapidamente se apercebeu que não estava preparado para tal empreendimento, preferindo dedicar-se a temas de cavalaria, como é exemplo Rinaldo, de 1562.
Em 1560, Torquato Tasso inicia os seus estudos de Direito em Pádua, onde conhece Sperone Speroni, humanista e crítico italiano, que lhe aconselha o estudo da obra De Poetica de Aristóteles, na qual se inspirou para produzir a obra Discorsi dell'arte poetica, terminada em 1587. Entra ao serviço do cardeal Luigi em 1565, frequentando a corte do duque Alfonso II de Ferrara, a cujas filhas o poeta dedica alguns dos seus melhores poemas líricos. Em 1570 (um ano depois da morte do seu pai), Tasso acompanha o cardeal a Paris, onde conhece o poeta francês Pierre Ronsard, regressando a Ferrara no ano seguinte, para se tornar um dos cortesãos do duque e dedicar-se por completo à atividade poética. Assim, em 1573, escreve L'Aminta, que, apesar de ser um drama pastoral, se distingue pela riqueza lírica aplicada no retrato feito ao amor que o pastor Aminta nutria por Sílvia. Dois anos mais tarde, termina a sua obra-prima, Gerusalemme liberata, um épico onde é narrada a ação do exército cristão, liderado por Godfrey de Bouillon, durante os últimos meses da Primeira Cruzada e que culminou na libertação de Jerusalém e na Batalha de Ascalon. Em torno desta história, Tasso escreveu outros episódios que lhe permitiram libertar a sua imaginação lírica e hedonista, destacando-se as histórias sobre os heróis italianos Rinaldo (a sua revolta, o seu amor pela sarracena Armida e o seu arrependimento e consequente ação decisiva na batalha final) e Tancredo (apaixonado pela sarracena Clorinda), bem como as histórias de intervenção sobrenatural a favor do rei de Jerusalém, Aladino. A sua obra situa-se entre as aspirações morais da época e a sua sensualidade pessoal, entre as regras formais do renascimento e a sua imaginação lírica, entre a verdade histórica e a invenção literária - a palavra-chave é equilíbrio, justificando o seu sucesso imediato. Após ter ido a Roma, onde submeteu a sua obra à revisão e apreciação de alguns críticos, Tasso regressou a Ferrara em 1576, fazendo a sua própria revisão da Gerusaleme liberata. Mas cedo se revoltou contra este tipo de autoridade, e, nos anos seguintes, a sua personalidade revelou-se conturbada por manias de perseguição, escrúpulos injustificados em relação à sua religiosidade e por violentos ataques que acabariam por levá-lo ao internamento no Hospital de Santa Ana (1579-86) por ordem do duque de Ferrara. Nesse período escreveu uma série de diálogos filosóficos e morais que, juntamente com numerosas cartas, constituem os melhores exemplos da prosa italiana do século XVI.
Em 1581 foram publicadas a primeira edição da Gerusalemme liberata e partes da obra Rime e prose. Em 1585, elabora a obra Apologia em resposta às críticas feitas por vários intelectuais perante a obra-prima do poeta. Em 1586, após a sua saída em julho do hospital, completa a obra trágica Galealto, reintitulada no ano seguinte Re Torrismondo. A sua vida passou a ser repartida entre Roma e Nápoles, onde escreveu os poemas religiosos Monte oliveto e La sette giornate del mondo creato. Torquato Tasso é acolhido, em 1592, pelo neto do Papa Clemente VIII, o cardeal Cinzio Aldobrandini, a quem dedica uma nova versão do seu épico, desta vez com o nome Gerusalemme conquistata, publicada em 1593 e que constitui um fracasso, pois revela a submissão de Tasso à moral e aos preconceitos literários de então. Escreveu mais dois poemas religiosos, Lagrime di Maria Vergine e Lagrime di Gesù Cristo, e, em junho de 1594, regressa a Nápoles, onde é publicada a obra Discorsi del poema eroico, no qual tenta justificar a nova versão do seu épico de acordo com a sua nova conceção de arte poética. Em novembro desse ano, o papa garante-lhe uma pensão anual de modo a poder residir em Roma mas, poucos meses depois, Tasso adoece, acabando por morrer em abril de 1575.
A influência de Tasso na literatura europeia foi alimentada por uma certa mistificação da sua personalidade, em virtude não só do confronto entre as suas aspirações religiosas e os seus supostos inúmeros amores, como também da inquietude presente ao longo da sua vida, acabando por ganhar o estatuto, na crítica moderna, de génio incompreendido e perseguido.
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