Artigos de apoio

Transe. Antologia 1960-1990
Herdeira do modernismo, a poesia de Gastão Cruz acentua, ao longo da antologia, alguns dos traços essenciais desse legado, como a dialética instaurada entre a palavra e o mundo, fundada na multiplicidade de significações que resulta do recurso a uma expressão imagística que aceita a dupla decifração de leitura alegórica e leitura literal, e, por outro lado, a objetividade que inclui a noção pessoana de disjunção entre subjetividade e poesia: "Hoje sei como se exprime a vida da poesia / com a sinceridade das emoções linguísticas / com que o mundo devasta e enche as nossas vidas // Aprendi a clareza das imagens fictícias / recolhidas na luz do corpo nu e vivo / entre os golpes orais errante desferidos", "A Vida da Poesia", in Campânula. Ao mesmo tempo, o depuramento firmado na glosa dos poetas quinhentistas impõe ainda o rigor absoluto numa reflexão sobre os limites entre linguagem e inexprimível: "Quando só formos a palavra abstrata / nem já nome de corpo / - incapaz de servir-se da linguagem / quem a retirará das águas?", "Enigma" in As Leis do Caos.
Como referenciar: Transe. Antologia 1960-1990 in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-07-28 03:57:59]. Disponível na Internet: