Trovas a Felipe Guilhem

Em 1519 chegou à corte portuguesa um castelhano de nome Felipe Guilhem, apresentando-se no porto de Santa Maria como boticário.
Era um grande lógico, muito eloquente e experiente. Por isso, muitos sabedores gostavam de o ouvir. Posto em contacto com o rei, disse-lhe que gostava de lhe dar "a arte de leste a oeste que tinha achado". E para demonstrar os seus conhecimentos fez muitos instrumentos na presença de Sábios (entre os quais se contava o matemático Francisco de Mello, considerado o melhor do reino), como um astrolábio "de tomar o sol a toda a hora".
Todos aprovaram as suas experiências, pagando-lhe o rei uma mercê de cem mil réis de tença, "com o hábito e corretagem da Casa da Índia que valia muito". Porém, o rei decidiu chamar o grande astrólogo e matemático Simão Fernandes. Após conversa com o Guilhem, Simão Fernandes descobre que o castelhano é um falso matemático. Perante esta situação, Felipe Guilhem tenta fugir para Castela, mas é descoberto por João Rodrigues e preso em Aldea Gallega.
Estando preso e porque era um grande trovador, Gil Vicente fez-lhe estas trovas.
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