Twin Peaks

Série televisiva, realizada por David Lynch, que se tornou mundialmente famosa, tendo sido seguida por milhares de espectadores entre 1990 e 1991. Nesta série, o realizador volta a um tema que já explorara no filme Blue Velvet (Veludo Azul, 1986), embora em Twin Peaks o faça de uma forma mais delicada - examina, com o seu olhar individual e peculiar, o que de sombrio e misterioso se esconde por detrás da vida aparentemente pacata de uma típica cidadezinha da América profunda. Neste caso, e como sinal de protagonismo, a série tem o nome da própria cidade. É em Twin Peaks que tudo vai acontecer - desde um crime, que vai trazer a descoberto mistérios insuspeitos, até à bizarra ocorrência de fenómenos paranormais; uma série que é um thriller psicológico e surrealista, realizada com a mestria muito particular de Lynch, que a tornou uma das mais memoráveis séries da história da televisão, um verdadeiro fenómeno de culto.
"Quem matou Laura Palmer?" foi, durante meses, a pergunta que todos os espectadores queriam decifrar. Laura Palmer, uma jovem muito bonita, é misteriosa e brutalmente assassinada. Este facto vem abalar a vida tranquila de Twin Peaks. O agente do FBI, Dale Cooper, papel desempenhado por Kyle MacLachlan, é chamado à cidade para dar apoio ao xerife local na busca do assassino. Cooper é um homem solitário, amante da natureza, mas acaba por se ver envolvido nos problemas mais estranhos da cidade.
O carácter bizarro de alguns dos seus habitantes é apresentado ao espectador através do olhar de Cooper, também ele possuidor da sua dose de excentricidade conseguindo, contudo, permanecer a personagem mais "normal" no interior de uma rede cada vez mais densa de mistérios. As técnicas que Lynch utiliza para contar histórias, extremamente anticonvencionais, foram ligeiramente suavizadas. Em toda a série perpassa uma sensação de belo. Começando pela magnífica música de Angelo Badalamanti, uma sonoridade cristalina, envolvente e sensual (que funcionou quase como uma imagem de marca), passando pela limpidez da fotografia que produz uma envolvência visual onírica, arrepiante e etérea, até à escolha do elenco de atores, jovens de uma beleza quase perfeita ou distante, inalcançável. Uma beleza capaz de encerrar os mais perturbadores mistérios e de suscitar a mais exacerbada curiosidade para os desvendar; técnicas ou motivos capazes de agarrar o espectador a esta história, incondicionalmente. E o mistério envolvendo a morte de Laura Palmer funciona, afinal, como o motivo à volta do qual Lynch irá passar para a tela o seu imaginário simbólico e altamente personalizado, desvendando as profundezas sentimentais e espirituais das diversas personagens. Estas são desempenhadas por nomes como Sherilyn Fenn, no papel de Audrey, terrivelmente bonita e má, Sheryl Lee, no duplo desempenho de Laura Palmer e da sua prima, Lara Flynn Boyle, Michael Ontkean, Joan Chen, entre outros. Em Twin Peaks convivem algumas das imagens mais marcantes, das emoções mais violentas e dos diálogos mais enigmáticos das séries passadas em televisão.
Como referenciar: Twin Peaks in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-09-22 11:12:12]. Disponível na Internet: