Universidade de Évora

A Universidade de Évora é composta por um conjunto arquitetónico austero, dos finais do século XVI, englobando vários edifícios - igreja e colégios - de construção maneirista de Estilo Chão e que emprega o granito regional.
Na sequência do Concílio de Trento, foi mandada construir a Igreja, dedicada ao Espírito Santo, pelo cardeal D. Henrique, em 1566. O templo, de planta jesuítica, em cruz latina e de uma só nave, adornada de capelas, teve à frente das obras os mestres empreiteiros Jerónimo de Torres, Afonso Fernandes e Baltasar Fernandes, conforme informam os documentos notariais da época.
Na fachada abre-se um pórtico avançado de sete arcos redondos com pilastras de cantaria a suportar um lintel reto. O corpo superior é tripartido, igualmente por pilastras em pedra aparelhada, e mostra ao centro um óculo sobrepujado por frontão triangular. O interior da igreja é animado pelos retábulos setecentistas das capelas laterais. O destaque vai para a Capela da Senhora da Boa Morte, com excelente retábulo em talha dourada, obra executada pelo entalhador Francisco Machado, bem assim como a Capela do Senhor Jesus dos Paços, composta por retábulo em mármores embrechados e sarcófago, igualmente em mármore - realizado para o cardeal D. Henrique, mas onde está sepultado o seu sobrinho.
O retábulo da capela-mor de 1631, de linhas maneiristas e dourada colunata, mostra um notável sacrário entalhado. Os nichos superiores albergam duas excelentes imagens seiscentistas de madeira estofada, representando S. Francisco Xavier e S. Francisco de Borja.
Também interessante é o púlpito quinhentista de balaústres torneados e revestidos de bronze.
Merecedora de atenção é a Sacristia Nova, construída nos finais do século XVI, enriquecida por mobiliário de madeiras exóticas, silhar forrado a azulejos policromos, do tipo ponta de diamante, e pela composição pictória de frescos das empenas e das abóbadas de caixotões com cenas historiadas, entre as quais de destacam os painéis biográficos da vida de Santo Inácio de Loyola, datados de 1599.
Adossado à igreja aparece-nos o corpo longilíneo do Seminário Maior (antigo colégio de N. S. da Purificação). O Seminário, traçado pelo mestre Jerónimo de Torres e acabado em 1605, serviu mais tarde de instalações à imprensa da Academia Eborense. É uma obra sóbria, robusta e de típica estrutura arquitetónica jesuítica. Possui o Seminário dois Claustros Geminados, de imponentes pilares e colunas dóricas.
De salientar também o seiscentista colégio da Madre de Deus, fundado por D. Francisca de Brito e seu marido Heitor de Pina, que conserva do risco original sóbrias fachadas e um equilibrado claustro de colunas toscanas em mármore.
O Colégio de S. Paulo, destinado aos estudantes da Ordem dos Ermitães da Serra de Ossa, foi construído em 1578, conservando o edifício várias portadas e janelas ao estilo gótico. Apesar de muito intervencionado, este colégio possui elementos arquitetónicos de grande interesse, como sejam o pórtico interior forrado a azulejos seiscentistas e os frescos dos tetos versando temática sacra e heráldica, para além dos bustos dos Doutores da Igreja S. Jerónimo e Santo Agostinho, e ainda de S. Paulo e Santo Antão. Na capela são dignos de destaque o rodapé, com azulejaria policroma, e a abóbada, com lanternim revestido por pinturas em perspetiva, ao gosto neoclássico do reinado de D. Maria.
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