Vale de Cambra

Aspetos Geográficos
O concelho de Vale de Cambra, do distrito de Aveiro, llocaliza-se na Região Norte (NUT II), Entre Douro e Vouga (NUT III). É limitado a norte por Arouca, a oeste por Oliveira de Azemeis, a sul por Sever do Vouga e a este por S. Pedro do Sul e Oliveira de Frades do distrito de Viseu. Estende-se por altitudes compreendidas entre os 200 e os cerca de 1000 metros.
O concelho abrange uma área de 146,2 km2, subdividida em 9 freguesias: Arões, Cepelos, Codal, Junqueira, Macieira de Cambra, Roge, S. Pedro de Castelões, Vila Chã e Vila Cova de Perrinho. Em 2005, o concelho apresentava 24 732 habitantes.
O natural ou habitante de Vale de Cambra denomina-se cambrense ou vale-cambrense.
A nível geológico, os terrenos mais antigos são, na generalidade, constituídos por granitos e xistos, na parte mais este, formando a zona serrana. Nos vales, onde correm as linhas de água, há acumulação de sedimentos de argila, areias e cascalhos, sendo as partes mais férteis para a agricultura. Os maiores aglomerados urbanos estendem-se nas áreas mais baixas de declives mais suaves. A cidade de Vale de Cambra situa-se em plena várzea e é irrigada pelos rios Vigues e Caima. Este último tem na sua nascente uma queda d' água com cerca de 70 metros de altura, denominada de Frecha de Mizarela.

História e Monumentos
As terras de Cambra foram doadas, no século XIV, a Fernão Pereira, que era o pai do Conde da Feira. Em fevereiro de 1514, D. Manuel I atribuiu-lhe foral. Até 1926 a sede do concelho foi em Macieira de Cambra, mas no início de 1927 foi transferida para o lugar da Gandra, que passou a designar-se de Vale de Cambra. Esta vila foi elevada a cidade em 20 de maio de 1993, pelo Decreto-Lei n.º 26/93.
Neste concelho encontram-se dois monumentos classificados como imóveis de interesse público: o cruzeiro de Roge - classificado em 1933, com cerca de 14 metros de altura e com uma coluna de estilo coríntio, rematada em esfera, sobre a qual se ergue uma cruz - e o pelourinho de Macieira de Cambra - classificado em 1944, que é quinhentista e se localiza em frente aos paços do concelho. Há ainda outros monumentos de destaque como a Igreja Matriz de S. Pedro de Castelões, a Capela da Sra. do Calvário, em Macieira de Cambra, e a ponte sobre o rio Caima no Pisão.

Tradições, Lendas e Curiosidades
No concelho realizam-se várias festas e romarias, como as festas setembrinas e as de Sto. António, padroeiro do concelho, realizadas no dia 13 de junho, data que coincide com o feriado municipal. As romarias mais tradicionais são as de N. Sra. do Desterro em Roge, no domingo e segunda-feira de Pentecostes, e a de N. Sra. da Saúde, em Gestoso, nos dias 13, 14 e 15 de agosto.
As feiras têm um peso importante no comércio concelhio, nomeadamente a Feira dos 9 e 23, realizadas mensalmente, nos dias referidos, em Vale de Cambra, e a Feira dos 16, em Cepelos.
O artesanato da região sobrevive em algumas freguesias nomeadamente no trabalho do linho, em Arões, e no fabrico de cestos e canastros, em S. Pedro de Castelões.

Economia
A ocupação do concelho pela área agrícola é ainda bastante significativa, nomeadamente pela viticultura, dado que Vale de Cambra se enquadra na Região Demarcada dos Vinhos Verdes. Há também alguma pecuária. A floresta ocupa mais de metade da superfície do concelho, nomeadamente com a presença do pinheiro bravo, eucalipto e diversas folhosas.
Até aos anos 60, a atividade industrial baseava-se fundamentalmente no ramo alimentar (laticínios), contudo houve uma evolução muito acentuada no tecido industrial, com o aumento crescente da indústria metalomecânica e de embalagens mecânicas. O setor das madeiras continua a ter um peso importante na indústria local.
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