valor atualizado líquido

Sempre que uma empresa analisa a possibilidade de implementação de um projeto de investimento, e tendo em conta a eventual dimensão elevada dos meios financeiros que tal pode implicar, torna-se necessário que proceda à avaliação o mais profunda possível da sua viabilidade a nível económico e financeiro (para além, naturalmente, da viabilidade a outros níveis, nomeadamente técnico). Para a avaliação económico-financeira de um projeto de investimento, as empresas têm ao seu dispor vários critérios, dos quais os mais utilizados são a taxa interna de rendibilidade (TIR) e o valor atualizado líquido (VAL). Estes critérios estão interligados, correspondendo a TIR à taxa de atualização dos cash-flows do projeto para a qual o VAL é nulo, e devem ser utilizados de forma complementar.
A maioria dos projetos de investimento, sejam levados a cabo por empresas ou outras entidades, implica uma análise de carácter plurianual. Isto porque, em primeiro lugar, o próprio período para o qual estão previstas as despesas de investimento pode ser superior a um ano; em segundo, porque para uma análise correta de um projeto é necessário ter em conta todo o período transitório obrigatório para que todos os meios (técnicos, financeiros e humanos) estejam devidamente organizados e adaptados, por forma a funcionarem com a máxima capacidade. Neste contexto, a análise de projetos de investimento tem como referência temporal habitual um período entre quatro e seis anos, que pode ser inferior ou superior de acordo com o tipo de projeto em causa.
Tendo em conta este aspeto, os indicadores mais precisos devem levar em conta o facto de entrarem na análise valores em momentos diferentes do tempo, que por definição não podem ser comparados. Aqui entra o conceito de atualização de valores, que permite que valores em momentos diferentes no futuro sejam transportados, através de uma taxa de atualização, para o mesmo momento (normalmente, o momento de início do projeto).
O valor atualizado líquido utiliza esta técnica da atualização aplicada aos denominados cash-flows líquidos totais de cada um dos anos de análise do projeto. O cash-flow líquido total de cada ano é por sua vez calculado através da soma de duas parcelas: o cash-flow de investimento, que representa os fluxos monetários previsivelmente associados às operações de investimento, e o cash-flow de exploração, que representa os fluxos monetários associados à atividade normal de exploração previstos para a empresa em cada um dos anos de análise.
O cash-flow de investimento inclui mais precisamente as despesas de investimento em capital fixo (edifícios, equipamentos, etc.) e as despesas de investimento em capital circulante (constituição de stocks de existências e de dívidas de clientes deduzidos das dívidas concedidas pelos fornecedores). Nestas duas vertentes o cash-flow de investimento tem normalmente sinal negativo, na medida em que estão em causa pagamentos. Em termos teóricos, no entanto, é utilizado como parte do cash-flow de investimento, desta vez com sinal positivo, o chamado valor residual dos investimentos realizados, calculado no último ano de análise do projeto. Esta consideração tem por base o facto de os investimentos realizados no âmbito do projeto terem muitas vezes um valor relevante no último ano considerado na análise que deve naturalmente ser tido em conta.
Por sua vez, o cash-flow de exploração corresponde à soma dos resultados líquidos, amortizações, provisões e encargos financeiros de financiamento em cada um dos exercícios levado em conta na análise. Parte-se assim dos resultados líquidos como aproximação dos fluxos monetários líquidos, tirando-lhe naturalmente o efeito das amortizações e provisões, que não se traduzem em fluxos monetários, e dos encargos financeiros de financiamento, na medida em que se pretende analisar o potencial do projeto independentemente das fontes de financiamento a que se recorre.
O VAL corresponde então à soma de todos os cash-flow líquidos totais do projeto atualizados para o momento de início do investimento. A taxa de atualização a utilizar deve aproximar-se, por definição, da combinação entre a taxa de rendibilidade dos capitais próprios da empresa e da taxa média a que consegue obter crédito, nomeadamente bancário.
A obtenção de um VAL positivo é indicador de que o projeto é, à luz dos pressupostos assumidos, viável. Sendo negativo, o projeto não tem, de acordo com este critério, valor suficiente para ser implementado.
Como referenciar: Porto Editora – valor atualizado líquido na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-09-16 18:03:19]. Disponível em