vanguarda (história)

A vanguarda pode ser entendida como uma multiplicidade de tendências artísticas e culturais preocupadas com uma nova visão e interpretação da realidade, surgida a partir dos começos do século XX. A Vanguarda, enquanto síntese artística, assinalou-se essencialmente na Europa, como reação quer ao desenvolvimento tecnológico e científico e aos progressos da Revolução Industrial ao longo do século XIX, quer às clivagens e assimetrias sociais resultantes dessa industrialização, com todas as lutas sociais e programas ideológicos e políticos decorrentes. Estas duas situações desencadearam no conflito à escala planetária que foi a Primeira Guerra Mundial, devido à luta pelo domínio dos mercados e dos centros fornecedores de matérias primas. Havia, por um lado, um triunfo dos detentores da riqueza e, por outro, um pessimismo entre os agentes culturais e artísticos, visível no simbolismo de finais do século XIX.
Por isso, a vanguarda, ou Avant-garde, síntese de correntes várias - Futurismo, Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo -, os chamados ismos, assumiu-se como a proclamação, pelo artista, da liberdade de criar num estilo novo, intervir no sentido do tempo e do mundo, de transformar a sociedade através da sua arte. O mundo de então era cada vez mais um desafio para os artistas - vejam-se os mais de trinta manifestos futuristas entre 1909 e 1924. Imaginação e fantástico, atitude emocional do artista perante o mundo e perante si próprio (expressionismo), ordem, sentimento, uma nova estrutura formal da obra de arte (abstracionismo), enfim, são os vetores essenciais da Vanguarda, uma sensibilidade artística com muitos ismos mas acima de tudo com uma nova posição e intervenção do artista no mundo.
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