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Vaticano I
Vigésimo concílio ecuménico, reunido na Basílica de S. Pedro, no Vaticano, entre 1869 e 1870, convocado pelo papa Pio IX. Teve que encerrar os trabalhos por força da ocupação de Roma pelas tropas de Garibaldi.
Ocorreu, ao longo de quatro sessões, tendo iniciado a 8 de dezembro de 1869 e terminado a 18 de julho de 1870. Decorreu numa época de grande conflitualidade entre a Igreja e os estados soberanos europeus, numa época de laicização crescente da Europa e de ataque cerrado das anticlericais ideologias liberais e socialistas à instituição católica, conotada com o Antigo Regime absolutista e feudo-vassálico que o Liberalismo pretendia derrubar. Por outro lado, estava-se na hora das nacionalidades, das unificações nacionais, como em Itália, em que os estados pontifícios foram eliminados da geografia política italiana e reduzidos à colina do Vaticano, em Roma. Era a hora, enfim, do racionalismo e do galicanismo (igrejas nacionais autónomas face a Roma). A Igreja, era pois atacada em todas as frentes e com a força que o modernismo (rigor científico-histórico na interpretação da revelação bíblica e divina) estava a ganhar, impunha-se a Pio IX a realização de um concílio ecuménico, o primeiro desde o de Trento (1545-1563).
A infalibilidade papal "ex cathedra" imanada deste concílio consiste no facto de que o Santo padre, na qualidade de pastor e líder do mundo católico e usando a sua autoridade apostólica suprema recebida de S. Pedro, define uma doutrina sobre a fé e os costumes, ou seja, aborda o dogma ou a moral cristãs, dirige-se à Igreja Universal ou fala como autoridade suprema dos Católicos. Se uma destas condições faltar, o papa deixa de ser infalível. Este primado do papa como sucessor de Pedro foi uma das notas fortes deste concílio, orquestrado pelo papa S. Pio IX. O concílio do Vaticano I pautou-se assim pela definição de estratégias de afirmação do poder papal e da instituição que é a Igreja Católica, além do reforço teológico e doutrinal dos princípios básicos sobre:
- a Fé,
- Deus como criador do universo e de todas as coisas
- a Revelação divina, escrita (Bíblia) ou oral (Tradição)
- a Igreja e o seu magistério universal
Procurou ainda conciliar e esclarecer as relações entre a Fé e a Razão, um dos temas que pairou sempre sobre o Concílio e que eram um dos debates de finais do século XIX e uma das armas de arremesso das sociedades secretas e das ideologias que pretendiam reduzir o papel da Igreja e do Papa, cada vez mais a figura preponderante em matéria de fé. As consequências começaram-se a notar, com o recuo das posições galicanistas e conciliaristas, além da blindagem doutrinal e espiritual que o Concílio conferiu à Igreja em termos de fé, embora tenha alterado o equilíbrio de poder entre o papado e os bispos, que teriam que esperar pelo concílio Vaticano II para verem o seu papel eclesiástico reforçado.
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