velocidade da moeda

A vertente monetária, designadamente no que diz respeito à política monetária dos governos, exerce um efeito sobre a economia como um todo, na medida em que influencia variáveis macroeconómicas fundamentais, como a taxa de juro, que por sua vez se refletem no comportamento dos agentes económicos, tanto do lado da oferta agregada como da procura agregada.
Entre várias as correntes económicas que incorporam na sua análise a influência da moeda na atividade macroeconómica merece destaque o chamado monetarismo, cujo expoente máximo é o trabalho de Milton Friedman, e que sublinha a importância da moeda na determinação do Produto Nacional Bruto (PNB) e nos preços de uma economia.
O conceito de velocidade da moeda é um dos conceitos fundamentais do monetarismo e surgiu no início do século XX como resultado dos estudos de Alfred Marshall e Irving Fisher. A corrente keynesiana e a revolução que operou no pensamento económico fizeram esquecer um pouco este conceito, que foi entretanto recuperado pelo monetarismo mais moderno, designadamente através do já mencionado Milton Friedman. O conceito de velocidade da moeda ou velocidade de circulação da moeda traduz concretamente a maior ou menor rapidez com que os agentes económicos gastam o stock de moeda que possam deter em seu poder com origem nos rendimentos que obtenham. Assim, a velocidade da moeda está ligada à circulação monetária, representando no fundo o ritmo dessa circulação num determinado período de tempo. Esta visão dinâmica da moeda difere da visão estática, que tem a ver com o stock monetário ou massa monetária (M) de uma economia num determinado momento.
A velocidade de circulação da moeda tem como virtude o facto de permitir o relacionar do stock de moeda num determinado momento e o PNB de um determinado período para uma economia. Assim, falamos em velocidade da moeda quando queremos descrever a taxa de rotação do stock de moeda num determinado período, normalmente um ano. Quando relacionamos a velocidade da moeda com o rendimento monetário de uma economia falamos em velocidade-rendimento (normalmente designada por V).
Neste contexto, se os agentes de uma economia detêm montantes elevados de moeda em seu poder durante períodos longos de tempo, a velocidade de circulação é reduzida e vice-versa. De destacar ainda que a velocidade da moeda é influenciada por fatores diversos, como as novas tecnologias, a atitude dos bancos, as taxas de juro em vigor, etc.
Em termos formais, a velocidade-rendimento da moeda é definida como o rácio entre o PNB anual nominal de um determinado ano (como numerador) e o stock de massa monetária (M) no final desse mesmo ano. Por sua vez, o PNB nominal pode ser visto como o produto entre o nível geral de preços (P) e o PNB real (Q), independente do nível de preços, pelo que se poderá estabelecer uma relação entre a moeda e os preços, facto que é preconizado pelos monetaristas.
Finalmente, é de referir que a equação de cálculo da velocidade da moeda (em que V corresponde ao rácio entre o produto de P e Q como numerador e M como denominador) permitiu a definição da denominada equação quantitativa das trocas, que iguala dois membros, o primeiro constituído pelo produto entre M e V e o segundo pelo produto entre P e Q.

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