Vera Drake

Drama coproduzido pelo Reino Unido, França e Nova Zelândia em 2004, escrito e realizado por Mike Leigh, Vera Drake foi interpretado por Imelda Staunton, Phil Davis, Peter Wight, Adrian Scarborough, Daniel Mays, Alex Kelly, Eddie Marsan e Heather Craney, entre outros.
O filme passa-se em 1951 e centra-se na vida de Vera Drake (Imelda Staunton), uma simpática e prestável mulher de meia-idade inglesa. Ela é um pouco excêntrica, mas parece-se com uma adorável tia ou avó convencional. Contudo, tem um lado secreto: ajuda a abortar mulheres que não têm posses para o fazer em locais mais apropriados. Apesar da falta de meios, Vera não é uma "cirurgiã bárbara", usando um método não muito violento, que não envolve nenhum instrumento cruel. Embora saiba que a sua atividade é ilegal, Vera não a vê como algo de errado e nem sequer usa a palavra "aborto"; em vez disso fala em "ajudar mulheres". Infelizmente para ela, quando uma das mulheres que ajuda vai parar ao hospital e fica às portas da morte, um inspetor da polícia, Webster (Peter Wight), interrompe uma festa de família para confrontar Vera com o seu crime. Ela fica arrasada e em pouco tempo desfaz-se o seu lado alegre e bem-disposto. A sua expressão muda radicalmente de um trivial e inocente contentamento para o pânico e o horror. As outras personagens importantes são os restantes membros da família. O seu marido Stan (Phil Davis), que não fazia ideia da vida dupla da mulher, acaba por apoiá-la, embora não concorde com o que ela fez. O filho Sid (Daniel Mays) encara os atos da mãe como uma traição. A filha Ethel (Alex Kelly) também está ao lado da mãe, assim como o próprio namorado, Reg (Eddie Marsan). Quem fica devastado com a notícia é o cunhado Frank (Adrian Scarborough), já que idolatrava Vera.
O filme possui um enorme impacto emocional, especialmente a partir do momento em que a vida de Vera se desmorona e se transforma numa tragédia. Não há, todavia, vilões nesta história. O detetive Webster, por exemplo, prende Vera Drake porque é o seu dever, mas o espectador percebe nos seus olhos que não lhe é fácil executar a ação. Mesmo o juiz, ao pronunciar a sentença, denota sinais de compaixão. Embora o tema esteja presente, este não é propriamente um filme sobre o aborto. Interessa mais ao realizador dramatizar uma situação bem localizada do que estabelecer um panfleto sobre o controverso tema. Até porque o mais importante de tudo são os estudos de personagem, especialmente a mulher que dá nome ao filme, riquíssima personagem magnificamente interpretada por Imelda Staunton.
Staunton venceu inúmeros prémios por este papel, tais como a Taça Volpi para a Melhor Atriz no Festival de Veneza e o BAFTA de Melhor Atriz, para além da nomeação para o Óscar da mesma categoria. O filme venceu o Leão de Ouro do Festival de Veneza, três BAFTAs (Melhor Atriz, Melhor Realizador e Melhor Guarda-roupa) e foi nomeado para três Óscares (Melhor Realizador, Atriz Principal e Argumento Original).
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