Vias e Limes do Império Romano

O estado imperial era extenso e pouco uniforme, abarcando uma grande variedade de realidades físicas e naturais, e uma diversidade de povos e culturas, unidas por Roma, o centro do império, que através de diversos meios conseguiu pacificar este imenso conjunto de províncias.
Todos os domínios que integravam o espaço do Império estavam protegidos por guarnições militares e eram servidos por delineadas fronteiras.
A união destas realidades tão díspares era consolidada pela partilha de uma língua imperial comum, o latim, e pela imposição de um código de leis universais e que se pretendiam justas. O Império estava ligado por uma rede viária eficaz, que durante o governo de Trajano chegou a atingir cerca de 100 mil quilómetros, associada ao eixo do Mediterrâneo. Esta ligação, relativamente rápida, entre todos os domínios imperiais, possibilitava o intercâmbio de pessoas, bens e conhecimentos neste imenso território, que também funcionava como um monumental espaço económico, de produção e consumo, onde havia circulação de moeda.
O Mediterrâneo era a via por excelência do comércio, contudo, os romanos investiram igualmente noutras vias de comunicação, como são exemplo as vias pedestres, espalhadas um pouco por todo o império. Estas vias, sólidas e duradouras, tinham várias funções ao mesmo tempo, pois respondiam às necessidades de transporte, da atividade comercial, à movimentação dos exércitos e à funcionalidade da administração do império.
Itália, o berço deste império, estava coberta por uma rede viária da qual constavam as Vias Salária; Latina; Áppia; Clódia; Aurélia; Cássia; Valéria; Flamínia, Postumia, a Tiburtina, a Ostiense, a Tusculana, a Portuense, a Septimana, a Campana, a Nomentana e a Sacra, entre outras. A província por seu turno estava servida pelos seguintes sistemas: o Gaulês; o de Espanha; o Britânico; o Balcânico; o Africano e o Asiático.
Nos mares os romanos controlavam o mar Mediterrâneo, ao qual chamavam Mare Nostrum, e navegavam nos mares Negro, Vermelho e no canal da Mancha.
O Limes, por sua vez, era, no fundo, o limite do império, império que, com Trajano, conheceu a sua máxima extensão: da Bretanha (até ao Sul da Escócia) até ao eixo Ratisbona/Coblença na Europa, todo o mundo mediterrânico e um prolongamento que se estendia às montanhas do Irão (na época de Trajano). Era na sua maior parte fortificado, principalmente na Europa renano-danubiana e no norte de Inglaterra. Adriano foi um dos que mais se preocupou em fortificar o Limes e, por isso, mandou construir a Muralha de Adriano.
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