Victor Cousin

Filósofo francês, Victor Cousin nasceu a 28 de novembro de 1792, em Paris. Foi professor da Universidade de Sorbonne em Paris, de 1815 a 1820. Em 1817 viajou pela Alemanha, onde entrou em contacto com Shelling e Hegel. Em 1821, foi acusado de liberalismo e suspenso do ensino.
Em França dedicou-se à elaboração de trabalhos históricos e filosóficos e edita obras de alguns filósofos como Descartes, Abelardo, etc. Mais tarde iniciou a tradução dos diálogos platónicos em 13 volumes, obra em que trabalhou desde 1822 a 1840.
Reintegrado nas suas funções docentes, iniciou uma brilhante carreira na monarquia de Luís Filipe: par de França, diretor da Escola Normal, reitor da Universidade de Paris e ministro da Instrução Pública em 1840. Cousin foi discípulo de Royer-Collard e apresenta influências de Descartes, Kant e Hegel.
A filosofia de Cousin, designada por espiritualismo e ecletismo, repousa na convicção de que os sistemas filosóficos são manifestações parciais de uma verdade única, mais ampla, e consiste na escolha da parte de verdade que os diversos sistemas contêm; assim, os sistemas são incompletos, verdadeiros no que afirmam e falsos no que negam. Os sistemas reduzem-se a quatro: o sensualismo, o idealismo, o ceticismo e o misticismo.
Esta conceção de história da filosofia estimulou a investigação histórico-filosófica, podendo-se então afirmar que Cousin é o verdadeiro fundador da história da filosofia em França.
Embora professando o ecletismo, Cousin vai criando uma filosofia pessoal e propõe a teoria da razão impessoal: a razão só seria subjetiva no estado de reflexão, mas no estado espontâneo captaria o absoluto, identificando-se com ele.
Em 1828, nas suas aulas, Cousin, reduz todas as ciências às ideias. Estas devem conter a explicação de todas as coisas, havendo três ideias fundamentais: o infinito, o finito e a relação entre o infinito e o finito. Assim, Deus é tão incompreensível sem Mundo como o Mundo sem Deus. A História por seu lado, é o desenvolvimento das ideias e dos povos; os séculos e os homens são as suas manifestações.
Em 1828, Cousin afastou-se do idealismo alemão e direcionou-se para o cartesismo, utilizando como base de filosofia o método psicológico.
Dono de uma filosofia eclética, foi a filosofia oficial desde a revolução de 1830 até 1848 (fim da monarquia constitucional de Luís Filipe).
Victor Cousin morreu a 13 de janeiro de 1867, em Cannes, França.

Como referenciar: Victor Cousin in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-21 06:11:13]. Disponível na Internet: