vilancete

Etimologicamente quer dizer "cantiguinha vilã" e o termo surgiu pela primeira vez no Cancioneiro Geral. Esta composição poética nasce de um mote pequeno, popular ou alheio, e desenvolve-se nas coplas (estrofes) da glosa ou volta. Usa o metro tradicional (5 ou 7 sílabas). À cabeça, o tema inicial, seguem-se os pés (geralmente de 7 versos), o desenvolvimento. Destinava-se ao canto. Praticamente desapareceu no século XVIII, pois os árcades e os pré-românticos não o cultivaram. Exemplo de um vilancete:
Antre mim mesmo e mim nam sei que s'alevantou que tam meu imigo sou. Os tempos com grand' engano vi eu mesmo comigo, agora no mor perigo se me descobre o mor dano. Caro custa û desengano e pois m'este nam matou quam caro que me custou. De mim me sou feito alheo, antr'o cuidado e cuidado estaa û mal derramado, que por mal grande me veo. Nova dor, novo receo foi este que me tomou assi me tem, assi estou. (Bernardim Ribeiro, Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, fixação do texto e estudo por Aida Fernanda Dias, Lisboa, IN-CM, 5 vols., I e II, 1990; III e IV, 1993; V, 1998)
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