vogal

Em fonética e fonologia, a vogal é uma das três grandes categorias usadas na classificação dos sons das línguas do mundo. Articulatoriamente, as vogais distinguem-se das consoantes por serem produzidas através da livre passagem do ar ao longo do trato bucal, passagem essa que é modulada pela ação dos órgãos articuladores, produzindo as conhecidas diferenças de timbre entre as vogais. Acusticamente, as vogais caracterizam-se por serem sons periódicos, ou melódicos, uma vez que são geradas na fonte glotal (cordas vocais), que lhes transmite ondas periódicas, a que se acrescentam outras incrementadas pelos ressoadores e filtradas pelos filtros que compõem as cavidades larígea, farígea, nasal e bucal. Ainda de um ponto de vista acústico, as vogais caracterizam-se por apresentar formantes bem definidos no espetrograma.
As vogais são naturalmente sons vozeados, ou seja, produzidos com vibração das cordas vocais. No que respeita ao papel do véu palatino (ou palato mole) na sua articulação, as vogais podem ser nasais, caso o véu palatino esteja baixado, permitindo a saída do ar pelas cavidades nasal e oral; ou orais, no caso de o véu palatino estar levantado, fechando a cavidade nasal e forçando a saída do ar apenas pela cavidade bucal. O português europeu normativo (variante de Lisboa) apresenta 5 vogais nasais [Ã], [é], [í], [õ], [ú] e 9 vogais orais [a], [A], [È], [e], [E], [i], [ó], [o], [u]. Outras línguas românicas como o castelhano possuem apenas 5 vogais orais ([a], [e], [i], [o], [u]).
Mas é efetivamente ao nível da cavidade bucal que as vogais se distinguem. São três os parâmetros articulatórios responsáveis pela classificação das vogais: ângulo de abertura do maxilar inferior, posição da língua em relação ao palato duro e arredondamento ou não-arredondamento dos lábios.
No que respeita ao ângulo de abertura do maxilar inferior (ou mandíbula), as vogais podem ser:
Fechadas: produzidas com uma elevação da língua em direção ao palato, reduzindo ao máximo o ângulo de abertura do maxilar inferior, provocando assim um estreitamento da cavidade bucal - [i], [E], [u], [í], [ú]
Semifechadas: produzidas com uma elevação moderada em direção ao palato, reduzindo um pouco o ângulo de abertura do maxilar inferior - [e], [é], [o], [õ]
Semiabertas: produzidas com um afastamento acentuado da língua em relação ao palato – [È], [ó], [A], [Ã]
Abertas: produzidas com um abaixamento da língua acompanhando o maxilar inferior que se encontra na sua abertura máxima - [a]
No que respeita à posição da língua em relação ao palato duro, as vogais podem ser:
Anteriores: produzidas através de um avanço do dorso da língua em direção à região anterior do palato duro – [i], [í], [e], [é], [È]
Centrais: produzidas através de uma elevação do dorso da língua em direção à região central do palato duro – [E], [A], [Ã], [a]
Posteriores: produzidas através de um recuo do dorso da língua em direção à região posterior do palato duro - [u], [ú], [o], [õ], [ó]
Quanto à projeção dos lábios, as vogais podem ser:
Arredondadas: produzidas com arredondamento dos lábios, que constituem um ressoador complementar responsável pelas vogais graves [u], [o], [ó], [õ], [ú]
Não-arrendondadas: produzidas sem arredondamento dos lábios (todas as restantes)
Além das vogais apresentadas, é ainda possível encontrar uma grande variedade de realizações vocálicas nas diversas variantes dialetais e socioletais do português europeu, brasileiro e africano. É o caso, por exemplo, das articulações nasais da vogal central aberta [a] na região do Minho e do Douro (<anda> - ['ãdA]) ou das articulações abertas da vogal [A] antes de consoante nasal (<Ana> - ['anA]).
De acordo com a matriz de traços fonológicos distintivos proposta por N. Chomsky e M. Halle (1968), as vogais são classificadas como [+ silábicas], uma vez que são núcleo de sílabas, distinguindo-se assim das consoantes, que por definição o não são. A teoria dos traços distintivos de base articulatória, proposta por Chomsky e Halle (1968), reclassifica os sons das línguas segundo traços bipolares [+/-], constituindo a base da fonologia generativa. No entanto, a classificação articulatória que é apresentada em cima e que é usada em fonética está na base de qualquer disciplina que estude a fala humana.
Como referenciar: Porto Editora – vogal na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-08-02 23:20:27]. Disponível em