Vorticismo

Vorticismo designa um movimento vanguardista inglês, no campo da cultura artística (nomedamente nas artes plásticas e na literatura), formado em 1912 pelo pintor canadiano Percy Wyndham Lewis (1882-1957) e pelo escritor Ezra Pound. O seu nome foi inventado por Ezra Pound em 1913 e aponta para um dos principais fundamentos desta corrente estética, a representação da realidade a partir de um ponto, ou melhor, de um vortex, do qual emanavam todas as formas plásticas.
Constituindo de certo modo o equivalente inglês ao Cubismo francês e ao Futurismo italiano, o Vorticismo pretende reagir contra o Impressionismo, procurando ser o espelho pictórico do mundo industrializado.
Tal como o Futurismo, representado pela obra do pintor Umberto Boccioni (1882-1916), o Vorticismo utiliza, tanto na pintura como na escultura, uma linguagem dinâmica que traduz sensações de atividade e de movimento. A representação das figuras e dos objetos é levada quase à abstração, possibilitando uma maior liberdade formal, a partir de uma estrutura formada por linhas curvas ou retas, quebradas e angulosas, que transmitem uma ideia de turbilhão. Integraram este movimento inúmeros artistas provenientes de vários países anglo-saxónicos, como William Roberts, Edward Wadsworth (1889-1949), C. R. W. Nevinson, Mark Gertler (1891-1939), Robert Henri (1865-1929) e o americano Alvin Langdon Coburn (1882-1966), famoso pelo retrato vorticista de Ezra Pound (realizado em 1916) e pela construção do vostiscópio (um máquina que fora concebida por Pound) que permitia obter imagens fotográficas de carácter abstrato (designadas vortographs), por um processo idêntico ao caleidoscópio. O pintor inglês David Bomberg (1890-1957), embora não se tenha associado ao movimento de forma oficial, desenvolveu um conjunto de trabalhos que apresentavam grandes afinidades com os princípios estéticos do Vorticismo. A sua obra, fortemente expressiva, caracteriza-se pela definição de traçados em quadrícula, que dividem e fragmentam as figuras, e pela preferência por temas ligados à vida urbana e ao seu dinamismo.
Os escultores Frank Dobson (1886-1963), Jacob Epstein (1880-1959) e Henri Gaudier-Brzeska, realizaram esculturas semi-abstratas que representavam figuras esquemáticas com carácter mecanicista.
Para além dos artistas plásticos, faziam parte do movimento os escritores Richard Aldington e Ezra Pound, que protagonizaram a vertente literária do movimento. Este último foi responsável, juntamente com Wyndham Lewis, pela publicação da revista Blast: Review of the Great English Vortex (blast significa explosão), criado com o objetivo de incrementar a produção ideológica e política do movimento. Radical no seu desejo de modernidade, este periódico (que só conheceu dois números, um editado em 1914 e outro em 1915) tentou desestabilizar o conservador contexto cultural inglês. No seu segundo número foi incluído o manifesto do movimento, em tudo herdeiro do manifesto futurista de Filippo Marinetti.
O eclodir da Primeira Guerra Mundial em 1914, cujo impacto rapidamente seria sentido em Inglaterra, provocou a dispersão dos artistas que constituíam o grupo vorticista, impedindo a consolidação das suas propostas estéticas e a constituição de um verdadeiro programa filosófico. Apesar de ter tido um limitado eco ao nível da produção cultural dessa época, para o que contribuiu a reduzida longevidade do grupo assim como o facto de ter sido realizada uma única exposição coletiva (organizada em junho de 1915 pela Galeria Doré, em Londres), o movimento assumiu um papel fundamental no desenvolvimento de várias linguagens estéticas na Inglaterra do pós-guerra.
Como referenciar: Vorticismo in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-06-19 08:24:16]. Disponível na Internet: