white flight

Uma das formas involuntárias de mudança social está patente nas políticas de governos nacionais, como foi o caso dos EUA, que promoveram formas forçadas de contacto entre brancos e negros com a ideia de que esses contactos atenuavam o medo e o preconceito racial junto dos brancos e promoviam a integração e harmonia racial junto dos negros assim como o equilíbrio racial entre todos. Muitas destas mudanças advêm de medidas que impediram, por exemplo, a segregação racial nas escolas nos EUA, o que fez com que as escolas se tornassem multiétnicas. White flight é o nome que caracteriza a reação a curto ou longo prazo da comunidade branca a medidas de não segregação de facto e de direito. Essa reação é normalmente uma manifestação de desilusão e ressentimento perante aquilo que julgam ser uma perda de poder, de importância de si próprios e das suas tradições culturais perante as mudanças sociais. As pessoas que experimentam o sentimento de White flight acreditam que as medidas governamentais de integração étnica e cultural são levadas a cabo à custa da sua própria segurança e bem-estar. Acreditam também que estas mudanças vão afetar a sua própria cultura e os seus valores tradicionais. O White flight começou a ter defensores nas alas mais conservadoras das sociedades tanto norte-americanas como inglesas, tendo esta posição contribuído para a eleição de Ronald Reagan como governador do estado da Califórnia. Muitas mães dos EUA e Grã-Bretanha começaram a pedir a transferência dos seus filhos de escolas multirraciais para escolas de maioria branca, uma vez que não as queriam em contacto com outras culturas ou não queriam que os filhos aprendessem línguas e costumes estranhos. No fim dos anos 80 do século passado, foi famoso o caso de Jenny Carney, de Cleveland, Grã-Bretanha, que conseguiu com que a sua filha fosse transferida de uma escola multiétnica por não querer que esta aprendesse canções em paquistanês, nem tivesse qualquer contacto com essa língua ou cultura. A administração da escola ficou dividida entre as leis que davam aos pais o direito de escolher as escolas para os seus filhos e as leis que reprovavam discriminações de ordem racial e étnica. A Comissão para a Igualdade Racial britânica não conseguiu através dos tribunais ver alterada a decisão da escola de Cleveland ao conceder a transferência à filha de Jenny Carney, dado que o facto de esta ter sido transferida de escola não confirmava uma segregação ou separação racial efetiva.


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