Woody Allen

Realizador, argumentista, escritor e ator norte-americano de origem judaica, Allan Stewart Konigsberg, nascido a 1 de dezembro de 1935, em Brooklyn, Nova Iorque, ganhou fama inicialmente como cómico no circuito dos clubes noturnos. Foi nesses palcos que formou a hilariante persona dramática que, marcada por uma extremada insegurança e uma angústia e ansiedade de laivos exageradamente existencialistas, passou para os seus filmes mais conhecidos. Recebeu então convites para trabalhar em televisão como argumentista de séries humorísticas, tendo ganho um Emmy pelo guião de Your Show of Shows (1964). Ciente do seu potencial cómico como ator, o realizador Clive Donner convidou-o para secundar Peter Sellers, Peter O'Toole, Romy Schneider e Ursula Andress em What's New, Pussycat? (Que Há de Novo, Gatinha?, 1965). Com o cachet desse filme, Allen lançou-se no desafio de realizar o seu primeiro filme: assim, pegou num velho filme japonês de série B, redefiniu-lhe os diálogos, dobrando-os para inglês e o resultado foi What's Up, Tiger Lily? (1966). Depois de ter protagonizado a farsa Casino Royale (1967), resolveu apostar definitivamente na realização, impondo assim um novo estilo cómico, mais psicológico, em que os protagonistas vivem atormentados por questões existenciais. Fê-lo em Take the Money and Run (O Inimigo Público, 1969), Bananas (1971), Everything You Always Wanted to Know About Sex (O ABC do Amor, 1972), Sleeper (O Herói do Ano 2000, 1973) e Love and Death (Nem Guerra Nem Paz, 1974).
Os críticos consideravam que os filmes de Allen não tinham um meio termo: "ou amavam-se ou, em contraponto, odiavam-se". Faltava a consagração que chegaria em 1977 com a tragicomédia Annie Hall, vencedora de 4 Óscares, particularmente o de Melhor Filme e Melhor Realizador. Curiosamente, Allen não compareceu à Noite dos Óscares: preferiu tocar clarinete no Michael's Pub de Nova Iorque, hábito que mantém religiosamente todas as segundas-feiras. Das inúmeras vezes em que Allen foi nomeado para os Óscares (quer na categoria de realizador, quer na de argumentista), optou por nunca comparecer. A exceção aconteceu em abril de 2002 quando procurou fazer uma homenagem às vítimas do atentado de 11 de setembro.
Nas décadas de 80 e de 90, a filmografia de Allen assumiu uma nova identidade, apresentando um cunho muito mais intimista, com profundas influências de Ingmar Bergman e Federico Fellini. Títulos experimentais como Stardust Memories (Recordações, 1980) e September (setembro, 1987) intercalaram-se com comédias como The Purple Rose of Cairo (A Rosa Púrpura do Cairo, 1985) e Radio Days (Os Dias da Rádio, 1987). Em 1986, voltou a ser agraciado com um Óscar, desta vez na categoria de Melhor Argumento Original por Hannah and Her Sisters (Ana e as Suas Irmãs). Realizando às vezes dois títulos por ano, tornara-se evidente que o cinema de Allen não cedia ao facilitismo comercial. Allen ainda mantinha os seus seguidores fiéis apesar de fracassos de bilheteira como Another Woman (Uma Outra Mulher, 1988), Alice (1990), Shadows and Fog (Sombras e Nevoeiro, 1992) e Manhattan Murder Mystery (O Misterioso Assassínio de Manhattan, 1993). Foi talvez esta a pior fase de Allen, complementada por graves problemas pessoais, nomeadamente em 1993 quando rompeu uma ligação afetiva de 16 anos com a atriz Mia Farrow (que foi a protagonista de uma dezena dos seus filmes) e enfrentou as acusações que esta lhe fez no sentido de ter molestado a enteada Soon-Yi. Allen e Soon-Yi assumiram o relacionamento e, a partir daí, os filmes do realizador passaram a ter uma atmosfera menos pessimista e formal, regressando ao humor acutilante dos anos 70 - embora, por vezes, com algum drama e romance à mistura, como, por exemplo, Deconstructing Harry (As Outras Faces de Harry, 1997), Celebrity (Celebridades, 1998), Sweet and Lowdown (Através da Noite, 1999), Small Time Crooks (Vigaristas de Bairro, 2000), The Curse of the Jade Scorpion (A Maldição do Escorpião de Jade, 2001), Hollywood Ending (2002), Anything Else (A Vida e Tudo o Mais, 2003) e Melinda and Melinda (2004). Em 2005, Woody Allen surpreenderia o grande público com o thriller Match Point, candidato a quatro Globos de Ouro, entre os quais os de Melhor Filme e Melhor Realizador.
Em 2008, Woody Allen realizou o filme Vicky Cristina Barcelona, uma comédia filmada em Espanha, com as participações de Javier Bardem, Scarlett Johansson, Penelope Cruz e Rebecca Hall. O filme estreou no Festival de Cannes daquele ano e foi o vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme de Comédia ou Musical. Penelope Cruz viu a sua interpretação premiada com o Óscar de Melhor Atriz Secundária em 2008.
Como referenciar: Woody Allen in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-15 12:59:38]. Disponível na Internet: