Zenão de Élea

Natural de Élea, cidade grega no sul da Itália, conterrâneo e discípulo de Parménides, viveu entre 480 e 430 a. C., tendo-se notabilizado pela metodologia a que recorreu em defesa das ideias do seu mestre: em lugar de tentar provar as teses que este professava, procurou deduzir consequências contraditórias das hipóteses dos adversários - os pitagóricos -, recorrendo a uma técnica lógica que viria a ser conhecida por «redução ao absurdo».
Com o objetivo de demonstrar a impossibilidade da pluralidade e do movimento, concebeu uma série de argumentos paradoxais, de entre os quais se celebrizaram o do estádio e o de Aquiles e a tartaruga. No primeiro afirmava a impossibilidade de um corredor atravessar um estádio, dado que antes de atingir a meta teria de chegar a meio da distância a percorrer; mas antes de atingir esse ponto teria de percorrer metade dessa mesma distância; e assim indefinidamente. No segundo, declarava que Aquiles, perseguindo a tartaruga, nunca chegaria a alcançá-la porque no momento em que atingisse o ponto do qual ela partiu, já ela se teria deslocado para um ponto mais avançado; quando Aquiles chegasse a este segundo ponto, a tartaruga já se teria movido para um terceiro; e assim sucessivamente, até ao infinito.
Não tendo concebido nenhum sistema próprio, a importância de Zenão deriva de ter sido o primeiro a propor um método de refutação estritamente formal com valor universal. A sua preocupação crítica, aliada à argúcia que exibiu como polemista, valeram-lhe ter sido considerado por Aristóteles como o fundador da dialética.
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