Sérvia e Montenegro

Território do sudeste da Europa, que englobava duas repúblicas unidas numa só nação - Sérvia e Montenegro (ex-Federação Jugoslava) - até junho de 2006, altura em que se tornaram independentes.
Situadas na península balcânica, quando em conjunto, a Sérvia e o Montenegro faziam fronteira com a Hungria a norte, a Roménia a nordeste, a Bulgária a este, a Macedónia e a Albânia a sul, a Croácia e a Bósnia-Herzegovina a oeste, possuindo uma estreita faixa litoral no mar Adriático, a oeste.
Fruto da sua localização geográfica, este território balcânico foi, ao longo dos séculos, sujeito às vicissitudes dos equilíbrios flutuantes de poder entre potências como a Áustria-Hungria e os impérios turco e otomano, que ora o submetiam no todo ou em parte, ora lhe concediam oportunidade de se afirmar como unidade política independente.
Já no século XX, foi este o nome que tomaram três entidades políticas distintas, facto uma vez mais sintomático de uma existência histórica conturbada. Assim, após um conflito no território em 1912-1913 e a Primeira Grande Guerra em 1914-1918, instituiu-se um regime monárquico que duraria até abril de 1941, altura em que as potências do Eixo invadiram o país e deitaram por terra a estrutura administrativa até então adotada. Uma vez expulsas as forças invasoras em 1945, o marechal Josip Broz Tito impôs outras formas de organização sociopolítica, passando a Jugoslávia a ser um estado federativo de orientação socialista no qual se distinguiam seis repúblicas (Sérvia, Montenegro, Croácia, Macedónia, Eslovénia e Bósnia-Herzegovina) e que ocupava sensivelmente o mesmo território que na fase precedente.
O traço porventura mais marcante da política adotada por Tito consistiu na afirmação de uma prática comunista própria, autónoma face à influência soviética, que aliás Tito rejeitaria ao romper com Estaline logo em 1948. Por outro lado, a posição jugoslava de neutralidade, num cenário político de oposição de grandes blocos em luta pela supremacia mundial, granjeou ao país um apreciável prestígio internacional. A Jugoslávia de Tito encabeçou, a par do Egito de Nasser e da Índia de Nehru, o Movimento dos Países Não-Alinhados, que constituía um reduto de tolerância e procura de paz nesse tempo de Guerra Fria.
Após a morte de Tito, verificada em 1980, um conjunto de forças e circunstâncias desagregadoras - as vincadas assimetrias socioeconómicas entre as regiões do país, a queda dos vários regimes comunistas europeus, o recrudescimento das tensões étnicas e dos nacionalismos - começou a manifestar-se, agudizando-se ao longo dos anos de 1980 e dando origem, já na década de 1990, a várias independências, como sejam a da Eslovénia, a da Croácia, a da Macedónia e a da Bósnia-Herzegovina, enquanto a Sérvia e o Montenegro formaram a Jugoslávia (Federação Jugoslava). Em 1992 rebentou no território uma guerra cruenta, cujos contornos são ainda difíceis de determinar na globalidade mas que se julga ter provocado mais de 250 000 mortes.
Em 1999, a expulsão maciça e a violência sobre cidadãos de etnia albanesa da república autónoma do Kosovo provocou uma resposta internacional que incluiu o bombardeamento da Sérvia e o estabelecimento de forças de paz da NATO e da Rússia no Kosovo.
O presidente Slobodan Milosevic, acusado em tribunal internacional de crimes de guerra, governou o país neste período sob forte contestação de diversas camadas da população e sob acusação internacional de ser um dos últimos ditadores da Europa.
As eleições antecipadas de 24 de setembro de 2000 foram ganhas pela oposição, chefiada por Vojislav Kostunica, mas a comissão eleitoral (controlada por Milosevic) marcou uma segunda volta das mesmas. Descontente, a oposição, que reclamou vitória logo à primeira volta, apelou à população para uma campanha de desobediência civil que obrigasse à aceitação da derrota e correspondente renúncia ao poder por parte de Milosevic. Esta campanha levou a que a vitória de Kostunica fosse oficialmente reconhecida.
As duas repúblicas - Sérvia e Montenegro - acordaram a 14 de março de 2002 a alteração do nome da Federação Jugoslava para Estado da Sérvia e Montenegro. No mesmo acordo, que entrou em vigor em fevereiro de 2003, ficou estabelecido que ao fim de três anos, se ambas as repúblicas assim o desejassem, poderiam tornar-se Estados independentes. Em maio de 2006 a república do Montenegro realizou um referendo cujo resultado demonstrou a vontade geral de independência, que veio a ser declarada a 3 de junho do mesmo ano. Dois dias depois, a Sérvia seguiu os passos do Montenegro, declarando a sua independência e, consequentemente, reconhecendo a do Montenegro.
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