Em Nome da Terra
Da autoria de Vergílio Ferreira, escritor português contemporâneo, Em Nome da Terra é o seu último romance.
Viúvo e reformado, João, narrador autodiegético e personagem principal, decide viver os últimos anos de vida num Lar, doando todos os seus bens à sua filha Márcia. Para si, guardou apenas, a memória, um Cristo mutilado, um desenho de Dürer, uma reprodução de um fresco de Pompeia e um disco de Mozart - concerto para oboé. Estes símbolos percorrerão a narrativa, estabelecendo uma relação analógica com o corpo, a morte, o esplendor e a beleza.
Temporalmente situado no tempo "último" do narrador, este romance constitui-se como um bonito mas doloroso louvor ao amor e ao seu objeto - a sua mulher Mónica, já falecida. Através de um diálogo sem resposta, profundamente intimista, João dirige-se a um "Tu" fisicamente ausente, Mónica, de cujas lembranças se vai alimentando.
Recorrendo a uma analepse, o narrador, numa permanente postura de recordação de um passado próximo, vai associando o seu estado de sofrimento e a beleza de Mónica aos objetos que conservara consigo. Guardados no seu quarto do lar, com eles mantém um confronto que, embora desleal, o ajuda a recriar um tempo e um espaço de plenitude.
Representação do sofrimento, o Cristo Mutilado é, muitas vezes, sugerido, pela memória de João, como o seu próprio sofrimento, decorrente da solidão e do abandono que a si próprio impôs, transpondo, então, apenas neste momento, o seu diálogo reflexivo para um outro "Tu".
A primavera, personificada no fresco de Pompeia pela deusa Flora, é comparada à beleza de Mónica, consubstanciada pela harmonia do seu corpo ainda jovem.
O olhar do narrador sobre o desenho de Dürer transporta-o simultaneamente para um tempo do passado - a morte de Mónica -, para um tempo do presente - a experiência que estava a viver no Lar e um tempo do futuro, com a morte sempre presente, apenas à espera do "Alma Grande".
Como símbolo melódico e harmonioso, o concerto para oboé de Mozart, como se proclamasse o nome de Mónica, serena e amacia as memórias de João.
Viúvo e reformado, João, narrador autodiegético e personagem principal, decide viver os últimos anos de vida num Lar, doando todos os seus bens à sua filha Márcia. Para si, guardou apenas, a memória, um Cristo mutilado, um desenho de Dürer, uma reprodução de um fresco de Pompeia e um disco de Mozart - concerto para oboé. Estes símbolos percorrerão a narrativa, estabelecendo uma relação analógica com o corpo, a morte, o esplendor e a beleza.
Temporalmente situado no tempo "último" do narrador, este romance constitui-se como um bonito mas doloroso louvor ao amor e ao seu objeto - a sua mulher Mónica, já falecida. Através de um diálogo sem resposta, profundamente intimista, João dirige-se a um "Tu" fisicamente ausente, Mónica, de cujas lembranças se vai alimentando.
Representação do sofrimento, o Cristo Mutilado é, muitas vezes, sugerido, pela memória de João, como o seu próprio sofrimento, decorrente da solidão e do abandono que a si próprio impôs, transpondo, então, apenas neste momento, o seu diálogo reflexivo para um outro "Tu".
A primavera, personificada no fresco de Pompeia pela deusa Flora, é comparada à beleza de Mónica, consubstanciada pela harmonia do seu corpo ainda jovem.
O olhar do narrador sobre o desenho de Dürer transporta-o simultaneamente para um tempo do passado - a morte de Mónica -, para um tempo do presente - a experiência que estava a viver no Lar e um tempo do futuro, com a morte sempre presente, apenas à espera do "Alma Grande".
Como símbolo melódico e harmonioso, o concerto para oboé de Mozart, como se proclamasse o nome de Mónica, serena e amacia as memórias de João.
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Como referenciar
Em Nome da Terra na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$em-nome-da-terra [visualizado em 2026-06-28 04:05:17].
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