Livros & Autores

Baiôa sem data para morrer

Rui Couceiro

O Dicionário das Palavras Perdidas

O Crespos

Adolfo Luxúria Canibal

Bom português

puder ou poder?

ver mais

tras ou traz?

ver mais

a folha foi impressa ou imprimida?

ver mais

desfrutar ou disfrutar?

ver mais

caibo ou cabo?

ver mais

extrema ou estrema?

ver mais

brócolos ou bróculos?

ver mais

Jogo dos erros

Farsa de Inês Pereira

Farsa de Gil Vicente que foi representada pela primeira vez em 1523. As farsas, diametralmente opostas às «moralidades», baseiam-se em temas da vida quotidiana, tendo um enredo cómico e profano. A Farsa de Inês Pereira parte da glosa de um mote: «mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube». Esta circunstância é explicada na didascália de abertura do texto: «que por quanto duvidavam certos homens de bom saber se o autor fazia de si mesmo estas obras, ou se as furtava de outros autores, lhe deram este tema sobre que fizesse».
Todo este enquadramento recorda a inserção do teatro vicentino no contexto da Corte. A ideia de glosa de um mote é claramente cancioneiril, e a menção dos «homens de bom saber» constitui uma referência direta ao público cortês, devidamente familiarizado com as convenções de elaboração e receção do texto literário. Este era dotado de uma incontornável vertente não só dramática mas acentuadamente teatral, facto que o ligava intimamente à sua receção, como é óbvio neste caso.
Entre o «asno» e o «cavalo» do mote inicial oscilará Inês Pereira, a personagem principal, jovem casadoira mas exigente. O «asno» é Pero Marques, o seu primeiro pretendente, que lhe é trazido por Lianor da Vaz, alcoviteira típica do tempo. Pero Marques, lavrador inculto que nunca viu sequer uma cadeira, personifica a rusticitas, que porque se opõe diametralmente à urbanitas cortês, à referida cultura assente em convenções comportamentais, não deixa de provocar o riso, assim funcionando como mecanismo subliminar do autoelogio da Corte. Inês Pereira recusa-o, pois pretende antes alguém que demonstre alguma urbanidade, alguém que, à boa maneira da Corte, saiba combater, fazer versos, cantar e dançar, alguém como Brás da Mata, o segundo pretendente, que lhe é trazido pelos Judeus Casamenteiros, um pouco menos sinceros e bem-intencionados do que Lianor Vaz. Mas Brás da Mata representa apenas o triunfo das aparências, um simulacro de elegância, boa-educação e bem-estar social, que acredita no casamento como solução para as suas dificuldades financeiras. Incapaz de ver para além das aparências, Inês escolhê-lo-á como marido, assim definindo o seu carácter ao longo das diversas situações da peça: solteira ingénua mas cheia de ambições de ascensão social, casada com o escudeiro e desencantada, viúva, depois de o marido morrer na guerra fugindo de uma batalha (violação de um dos elementos fulcrais do código cortês), e, finalmente, esposa leviana e adúltera de Pero Marques, o «asno» que literalmente a leva às costas para o encontro com o seu amante.
Reprodução do frontispício da <i>Farsa de Inês Pereira</i>, de Gil Vicente
Trata-se, portanto, de uma sátira aos costumes da vida doméstica, jogando com o tema medieval da mulher como personificação da ignorância e da malícia.
Partilhar
Como referenciar
Porto Editora – Farsa de Inês Pereira na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-08-14 02:25:13]. Disponível em

Livros & Autores

Baiôa sem data para morrer

Rui Couceiro

O Dicionário das Palavras Perdidas

O Crespos

Adolfo Luxúria Canibal

Bom português

puder ou poder?

ver mais

tras ou traz?

ver mais

a folha foi impressa ou imprimida?

ver mais

desfrutar ou disfrutar?

ver mais

caibo ou cabo?

ver mais

extrema ou estrema?

ver mais

brócolos ou bróculos?

ver mais

Jogo dos erros