A Busca de Sentido

Constituindo uma profunda análise literária, A Busca de Sentido debruça-se sobre autores de língua portuguesa.
Formado por um conjunto de dezoito ensaios sobre temas literários diversos, esta obra corresponde a uma busca de sentido nos textos abordados. Procurando não "anular os próprios impulsos em que (os mesmos) se inspiram", o autor mantém, pelo contrário, as "cambiantes" do mundo dos possíveis.
Estendendo-se por um período que vai desde Camões até à contemporaneidade, A Busca de Sentido entra no complexo universo literário português, abordando uma variedade de autores que se distinguiram no decorrer destes tempos. Sob o título "Imagens do Cosmo na poesia portuguesa", Óscar Lopes analisa os seguintes autores e textos:
Camões - Os Lusíadas - A simbologia da Máquina do Mundo enquanto que um conjunto de esferas mostradas a Gama como o Universo já concebido por Ptolomeu.
Soares de Passos - O Firmamento, poema publicado em 1852, na revista O Bardo (1852-1854) e resultante de uma discussão com Eduardo Luso Falcão sobre a génese do Universo, a partir daquilo que se entendia como uma nebulosa. Assim, como o universo se estendeu lentamente, também, diz o autor, o poema "O Firmamento resulta de movimentos lentos de escrita e imaginação", enquanto momento de protesto contra a opressão.
Fernando Pessoa - A Tabacaria, 1928. Resultado de um estado de neurastenia, este poema narrativo assenta numa "incompatibilidade de fundo entre o real e (?) o ideal" expressa pela "ação dialogante" desenvolvida pelas personagens (sujeito poético-narrador, a Tabacaria, o dono da Tabacaria e o Esteves), num espaço confinado à Tabacaria, entre a janela e a cadeira.
Aceitando um mundo múltiplo, num universo diverso, como forma de catarse do tédio, Fernando Pessoa tenta libertar-se. Porém, ao assumir-se como génio e ao afirmar que "serei sempre o que só tinha qualidades" não consegue fugir a um mundo que o enfastia só porque não foi ele, poeta, quem o fez.
Jorge de Sena - A Morte, o Espaço, a Eternidade. Último poema das Metamorfoses, da autoria deste conceituado poeta, escrito aquando da morte de uma amiga, a mãe de José Blanc de Portugal e da colocação do primeiro satélite artificial da Terra, em 1957, factos que o teriam inspirado.
Apologia e crítica contemporâneas da expansão
Correspondendo ao segundo ensaio de A Busca de Sentido, aqui são referidos textos apologéticos e textos críticos dos Descobrimentos da autoria de escritores e cronistas contemporâneos da expansão.
No terceiro ensaio, intitulado Claro-escuro camiliano, o autor aborda a obra de Camilo Castelo Branco, tentando explicar as razões que determinam uma estética de receção divergente junto do público leitor. Na verdade, diz Óscar Lopes, "Camilo(?) agrada e desagrada intensamente, numa amplitude quer de fases evolutivas, quer de obras, quer mesmo de parágrafos." "Arrepanha de comoção contida, mas também, e às vezes logo a seguir, desgosta pelo KITSH, (?)".
O narrador de A Relíquia titula o quarto ensaio, onde é analisado o narrador daquela obra de Eça de Queirós, Teodorico Raposo, enquanto instância que, simultaneamente, se assume como narrador e como personagem principal.
No quinto ensaio, Alguns conflitos internos anterianos, o autor analisa a conflitualidade reconhecida nos textos de Antero de Quental, um Antero dual, ora "apolíneo e racionalista do apostolado social progressivo", ora um Antero romântico, estética e temperamentalmente.
Amorim Viana, Antero e Sampaio Bruno: algumas conexões é o título do sexto ensaio, onde o autor explana sobre a apresentação, em 1890, no Ateneu Comercial do Porto, da Comissão Organizadora e Instaladora da Liga Patriótica do Norte, presidida por Antero de Quental, enquanto personificação da esperança de uma oposição ao Ultimato inglês. Partindo daqui, Óscar Lopes vai analisando os posicionamentos sócio-políticos e culturais dos autores referidos no título e o reflexo daqueles nas suas obras.
No ensaio sete, Meditações desgarradas sobre uma releitura de Antero, Óscar Lopes, com base na sua própria experiência, apresenta a possibilidade de uma leitura diferente dos textos anterianos.
Em Expressões Modernas da Saudade Portuguesa, oitavo ensaio, o autor disserta sobre a temática da saudade, enquanto leit-motiv que perpassa o texto literário ao longo dos tempos.
Intitulado António Patrício: uma saudade decadente e nietzchiana, o ensaio nono corresponde, como o próprio autor informa a "um ensaio de compreensão global da obra de António Patrício.
Mário de Sá Carneiro ou a aposta contra Cesário é o ensaio dez. Aqui, é feita uma análise da obra de Sá-Carneiro em contraponto com a de Cesário Verde.
No ensaio onze, Aquilino Ribeiro e a infância, Óscar Lopes explica a importância que o momento da infância teve na obra de Aquilino.
Em Irene Lisboa, uma lágrima engolida no "comum existir, ensaio doze, analisa-se a obra de Irene Lisboa.
Ladino, é o ensaio treze. Nele, o autor debruça-se sobre a obra narrativa de Miguel Torga, partindo da análise do conto Ladino.
Nos ensaios catorze e quinze, Mãe-d'Água, ou a poesia de Eugénio e Eugénio de Andrade:o texto inconsútil entre a voz e as coisas, respetivamente, o autor, reanalisando a obra daquele poeta, sugere novas perceções globais da mesma.
Intitulado Pêndulo, oscilação, vibração, o ensaio dezasseis fala do poeta Egito Gonçalves e da sua obra.
No ensaio dezassete, In Nomine Dei, de José Saramago, Óscar Lopes analisa esta obra de José Saramago, Prémio Nobel da Literatura.
Finalmente, no ensaio dezoito, Dáfnis e Clóe no Barroso, fala-nos deste romance da autoria de Bento da Cruz.
Como referenciar: A Busca de Sentido in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-03-20 11:25:04]. Disponível na Internet: