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A Península Ibérica na Aventura da Expansão
Durante o século XV, os países da Península Ibérica deram início a um movimento de exploração das terras para além do território europeu. Portugal e Espanha foram então os patrocinadores destas primeiras viagens de exploração, que abriram a Europa a um mundo desconhecido, rico em metais preciosos, especiarias e outros produtos que começaram a circular regularmente no Velho Continente.
O casamento de Isabel I de Castela com Fernando V de Aragão, no ano de 1469, deu início a um ciclo de desenvolvimento que transformou a Espanha numa grande potência. Isabel e Fernando tornaram-se governadores conjuntos do reino de Castela, em 1474, e de Aragão, em 1479, embora não houvesse uma união efetiva dos dois reinos, uma vez que cada um dos monarcas exercia o seu poder soberano apenas no seu reino. Apesar disso, o reino de Aragão foi um pouco esquecido, pois era mais pequeno e menos rico do que o de Castela. As atenções dos monarcas estavam voltadas sobretudo para o reino de Castela, pois um dos seus principais objetivos era fortalecer a autoridade real neste reino populoso e abastado.
Os Reis Católicos, como ficaram conhecidos devido à sua forte devoção pela religião católica, também se entregaram ao fortalecimento da pureza da fé, através da promoção do estabelecimento da Inquisição em 1478, efetivo em 1481. Esta instituição funcionava não só como um instrumento da Igreja na sua luta contra a heresia e o pecado como também servia de instrumento de consolidação do poder régio. Os inquisidores nomeados pela realeza eram investidos de poderes laicos e religiosos, estavam isentos da jurisdição normal, e eram servidos por um vasto conjunto de informadores e de guardas. Os procedimentos da Inquisição eram secretos. O indivíduo condenado pelo Tribunal do Santo Ofício era severamente punido pelos crimes que teria cometido e os seus bens eram distribuídos entre a Inquisição, a coroa e os seus acusadores.
Nas Cortes de Toledo, convocadas em 1480 pela rainha Isabel de Castela, foram lançadas as leis de base de um regime monárquico absolutista. As leis foram revistas, o sistema judicial reformado, o poder da nobreza enfraquecido e as estruturas administrativas e as formas de recrutamento de funcionários sistematizados. Castela tornava-se num dos mais modernos Estados do seu tempo.
O poder real foi, ainda, mais fortalecido com a guerra mantida por dez anos com Granada, o último reino muçulmano na Península Ibérica. Em 1492, Granada caiu, possibilitando a unificação da Espanha e a uniformização religiosa imposta pela conversão ao Cristianismo de Judeus e Mouros, conseguida também através da expulsão de cerca de 150 mil Judeus, que escolheram sair de Espanha.
Do programa político destes monarcas constou também o patrocínio da viagem de Cristóvão Colombo para encontrar uma rota ocidental para as Índias. Desta viagem resultaram grandes consequências históricas, nomeadamente a descoberta da América.
A renovada força de Castela tornou-se evidente na sua habilidade de criar um grande império ultramarino e ao mesmo tempo assumir uma posição hegemónica na Europa. A viagem de Colombo, que levantou muita excitação, trouxe resultados materiais desapontantes. Contudo, abriu o caminho para a implantação castelhana no Novo Mundo, começando a ser concretizada nos primeiros decénios de Quinhentos.
As ações empreendidas neste sentido pela coroa de Castela tiveram enormes consequências: com elas foi destruído o Império Asteca no México, por Hernán Cortés, entre 1519 e 1521, e conquistado o Império Inca no Peru, por Francisco Pizarro, entre 1531 e 1533. Nos anos 50 do século XVI, a Espanha controlava a maior parte da América do Sul, da América Central, a Florida e Cuba; na Ásia, as ilhas Filipinas.
Este império permitiu a propagação do Cristianismo além do Atlântico e trouxe uma incomensurável riqueza ao país, com a descoberta das minas de prata e ouro na década de 30. A implantação ultramarina começava a dar importantes frutos. A chegada da prata revolucionou os esquemas económicos europeus; o afluxo, em tão grandes quantidades, de meios de pagamento teve como uma das principais facetas a célebre e polémica "revolução dos preços". O mundo moderno começava verdadeiramente.
A expansão portuguesa do século XV, por seu turno, permitiu encontrar importantes centros produtores de açúcar na Madeira e nos Açores. A tomada da praça de Ceuta no Norte de África constituiu um ponto de partida para a exploração das costas africanas.
A caravela, um novo tipo de embarcação equipada com velas triangulares propícias à navegação no Atlântico, possibilitou aos marinheiros portugueses navegar à volta do Cabo Verde, no Senegal, em 1444, e chegar em 1460 à Serra Leoa.
D. Duarte (1433-1438) e Afonso V (1438-1481), os sucessores de D. João I (1385-1433), organizaram outras expedições a Marrocos, onde capturaram importantes cidades, como Tânger e Arzila.
Com D. João II (1481-1495) foi retomado o grande prestígio da monarquia, abalado com os seus dois antecessores, e a nobreza foi submetida ao poder régio. Em 1482 este monarca estabeleceu uma fortaleza em Elmina ou Mina (S. Jorge da) e estabeleceu também relações com o reino do Congo, atual território de Angola. Entre 1487 e 1488, Bartolomeu Dias tornou-se o primeiro navegador a chegar ao extremo meridional da África e abrir a rota marítima para o Oriente.
Depois da viagem de Cristóvão Colombo à América em 1492, e na sequência da viagem de Bartolomeu Dias, Portugal e Espanha negociaram o Tratado de Tordesilhas, em 1494, que estabeleceu uma linha de demarcação que atribuía a Portugal todas as terras ainda por descobrir a este da linha de 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde.
Com o rei D. Manuel I (1495-1525) Portugal atingiu o ponto máximo da expansão marítima, bem patente no denominado "estilo manuelino", um "estilo" artístico com muitos pontos comuns com o gótico, mas enriquecido com uma invulgar linguagem decorativa muito ligada aos Descobrimentos, que está, por exemplo, sintetizada na célebre Janela Manuelina do Convento de Cristo de Tomar.
Entre 1497 e 1499 Vasco da Gama fez a sua primeira viagem até à Índia, seguindo a rota descoberta por Bartolomeu Dias, inaugurando um lucrativo comércio de especiarias e de outros produtos de luxo entre a Europa e a Ásia. Afonso de Albuquerque chefiou a presença portuguesa em territórios como a cidade indiana de Goa, ocupada em 1510, em Malaca, em 1511, as Molucas, na atual Indonésia, entre 1512 e 1514, e a ilha de Ormuz, no Golfo Pérsico, em 1515. Durante este período, foi aberto pelos portugueses o comércio com a China e foram estabelecidas relações com a Etiópia.
D. Manuel I (1495-1521), tal como outros reis portugueses, sonhou com a unificação de Portugal com a Espanha, sob a sua liderança, e por isso mesmo casou com duas filhas do rei Fernando V e da rainha Isabel. À semelhança dos seus vizinhos, D. Manuel expulsou de Portugal os Judeus e os Muçulmanos em 1497, privando o país de um grupo económica e cientificamente importante da classe média. O seu filho D. João III (1521-1557) promoveu a fixação de portugueses no Brasil, uma terra descoberta em 1500 por Pedro Álvares Cabral, e introduziu a Inquisição no país em 1536.
À sua morte, em 1557, o império português tinha entrado num processo de decadência que se prolongaria pelo reinado de D. Sebastião, que morreu ainda muito jovem em Alcácer Quibir, em Marrocos, em 1578. Pela morte do seu sucessor, D. Henrique, em 1580, terminava a dinastia de Avis inaugurada por D. João I, com o país à beira de se unir à coroa espanhola.
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