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Aires de Almeida Santos
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Poeta e jornalista angolano, Aires de Almeida Santos, nascido em 1922, no Planalto Central, no Chinguar, Bié (Angola), viveu, contudo, a sua infância junto do mar, na cidade de Benguela, entre o Bairro do Benfica e a Escola da Liga, onde fez a escola primária, e a adolescência na cidade do Huambo.

Concluído o ensino liceal, Aires de Almeida Santos possuía já o gosto pela escrita literária, sendo desta época alguns dos primeiros textos que foram, posteriormente, compilados no livro Meu Amor da Rua Onze.

Ideologicamente empenhado e comprometido com os valores da liberdade e da independência, o autor foi "deportado" para Luanda, nos anos 50, pela polícia colonial, onde mais tarde acabou por ser preso até finais da década de 60.

Quando saiu da prisão, a sua obra era já objeto de consagração e de análise.

Dedicando-se ao jornalismo, colaborou em vários jornais, nomeadamente Jornal de Benguela, Jornal de Angola e A Província de Angola.
Poeta da "geração da Cultura", retomou a vertente temática da anterior "geração da mensagem", cuja revista fora proibida e extinta pelas autoridades repressivas coloniais. Assim, a sua poesia centrou-se em preocupações profundamente nacionalistas e, na procura de elementos do passado remoto, encontrou formas que permitiam fazer, simultaneamente, a catarse da escravidão e a denúncia da miséria do tempo presente.

Recorrendo a uma linguagem eufemística, os textos de Aires de Almeida Santos remetem o leitor para momentos conotativos de denúncia da exploração e da repressão, associados a espaços de esperança que decorrem da implementação e projeção dos movimentos independentistas, enquanto plataformas revolucionárias e geradoras de PAZ.

Tendo vivido grande parte da sua vida em Benguela, única cidade, para além de Luanda, com alguma atividade cultural, a sua obra poética reflete uma profunda ligação a esta cidade que ele tão bem conhece física e afetivamente e que foi alicerce arquitetónico do seu imaginário infantil e "naif": "Tenho saudades do tempo/Em que corria descalço/Pelas areias do rio;/Comigo, os meus companheiros/Também descalços, correndo,/A correr ao desafio.(...)"

De cariz profundamente descritivo, a poesia de Almeida Santos permite um olhar quase fotográfico que regista, com clareza e precisão, os espaços físicos, psicológicos e sociais de uma cidade que o poeta elegeu incondicionalmente como "a sua": " (...)O Macuto da Ximinha/Que cantava todo o dia/Já não canta./O Zé Camilo, coitado,/Passa o dia deitado/A pensar em muitas coisas.(...)".
Através de uma escrita cheia de subtilezas formais, o autor entabula um colorido diálogo com a natureza, enformando temáticas que vão permitir engrossar as correntes da esperança da libertação nacional.

Aos 53 anos de idade, a exercer a profissão de jornalismo e a de guarda-livros, pôde viver o tão esperado momento da declaração da independência.
É então que toda a sua poesia, espalhada por um sem número de "mochilas clandestinas do exílio", é recolhida com o apoio do poeta David Mestre.

A sua obra poética, escassa mas de qualidade, está reunida no livro a que simbolicamente chamou Meu Amor da Rua Onze.

Morreu em Benguela em 1991.

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Como referenciar
Aires de Almeida Santos na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$aires-de-almeida-santos [visualizado em 2026-06-10 05:47:01].

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