Alfredo Gaspar

Político e oficial da Armada portuguesa, Alfredo Rodrigues Gaspar nasceu em 1865 e faleceu a 1 de dezembro de 1938, na cidade de Lisboa. Toda a sua vida pertenceu à Armada nacional, pois no ano em que morreu tinha atingido a reforma (um dia antes do seu falecimento) com a patente de capitão de mar e guerra.

Todavia, a sua vida não foi consagrada somente à carreira militar, tendo, aliás, ganho maior destaque enquanto político e estadista republicano. Conciliou as duas carreiras, não deixando de brilhar no seu meio de origem, a Armada.
Pouco se sabe do começo da vida deste ativo dirigente republicano, principalmente da sua fase militar. Depois de ter concluído o curso da Escola Naval, veio a exercer nesta instituição funções de docência, o que leva a depreender a sua valia enquanto militar e capacidades intelectuais pelo facto de ter sido professor em tão distinta instituição de ensino.

Foi ainda comandante de diversas unidades da Armada portuguesa, para além de ter sido administrador do Porto de Lisboa.

Fez parte, por outro lado, das fileiras do Partido Republicano Português, de que foi membro destacado e com inúmeras responsabilidades políticas e de liderança, vindo a fazer parte da sua galeria de notáveis.

Foi deputado em diversas legislaturas. Em termos de governação do País, Alfredo Gaspar assumiu a pasta das Colónias entre 12 de dezembro de 1914 e 25 de janeiro de 1915, em plena Primeira Guerra Mundial e com os territórios africanos de Moçambique e Angola a serem alvo da cobiça e de fortes pressões da Alemanha, que a partir do Sudoeste Africano (Namíbia) lançava ataques a Angola e de Tanganica (Tanzânia) a Moçambique.

Era também um ministério sobre o qual caía grande parte da atenção da opinião pública, das oposições e dos periódicos e críticos. Ainda assim, parece ter tido uma atuação meritória e capaz, pois voltou a abraçar esta pasta ainda em 1915, a partir de 22 de julho até 15 de março do ano seguinte, ainda em pleno conflito mundial, e depois entre 29 de junho de 1919 e 3 de janeiro de 1920.

Ainda em 1922, durante apenas onze dias - entre 6 e 17 de fevereiro - foi novamente o titular das Colónias. Mais tarde, a partir de 29 de junho de 1919, apesar de interinamente, ocupou o cargo de ministro da Marinha.

Em julho de 1924, na sequência desta carreira política e ministerial, e como seu corolário, chegou ao cargo de chefe de governo, acumulando a pasta do Interior. Todavia, não foi além de 22 de novembro desse ano, quando foi derrubado. Era, na altura, Presidente da República Teixeira Gomes.

Como parlamentar, para além de ter sido deputado, como se referiu, foi presidente do Parlamento (ou Câmara de Deputados), mais precisamente em 1926, ano do golpe de estado do 28 de maio.

Dedicou-se depois novamente à carreira militar, mais na área da investigação e ensino, vindo a exercer cargos de relevo. No ano em que faleceu, 1938, era presidente da Comissão Técnica de Artilharia Naval e diretor do Laboratório de Explosivos da Armada.
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