Amarna

Esta cidade egípcia, situada nas margens do Nilo, a Sul do Cairo e também denominada Et Til el-Amarna, Tell el-Amarna, el-Amarna e Aketaton, foi a capital do Egito durante a única época em que esta civilização praticou um culto predominantemente monoteísta: aproximadamente entre os anos de 1352 e 1336 a. C., durante a XVIII dinastia. Este período coincidiu com o reinado de Amenhotep IV (1352-1336 a. C.), que instaurou um culto essencialmente centrado no deus supremo Aton (o Sol) e, como consequência, mudou o nome para Akenaton (que significa "Horizonte de Aton"). Criada de raiz no sexto ano do reinado do faraó, que recebera inspiração divina, Amarna concentrou os poderes administrativos e religiosos, chegando a contar com 50 000 habitantes, e foram edificados templos, palácios (entre os quais se destacou o de Nefertiti - rainha e esposa de Akenaton -, chamado também Kasr Nefertiti), silos, jardins, casas em tijolo e necrópoles, tendo tudo isto sido abandonado no final do reinado de Akenaton, considerado herético. A parte civil da cidade encontra-se dividida em três zonas: cidade norte, subúrbio norte e subúrbio sul. O edifício mais importante da cidade era naturalmente o Grande Templo de Aton, hoje parcialmente sob a necrópole de El-Till, havendo um outro dedicado também a este deus mas chamado o Pequeno Templo de Aton. Uma vez que o culto principal se dirigia ao Sol, os templos não seguiam a configuração comum mas abriam-se para o Céu. A arte em Amarna foi igualmente revestida de um carácter de exceção, conferindo maior realismo às feições e alongando os corpos e crânios, como se pode observar em algumas estelas remanescentes.
Perto de Amarna situa-se, entre outros, o Túmulo Real de Akenaton, num vale no Wadi Real, com uma parte inacabada que seria presumivelmente destinada à sua mulher, Nefertiti. Entre os anos de 1798 e 1799 foi efetuado um mapa da cidade pela expedição napoleónica que estudou as ruínas de Amarna, e em 1887 foram descobertas as conhecidas Cartas de Amarna, 382 placas de gesso que continham em escrita cuneiforme a correspondência diplomática internacional do reinado de Akenaton. A cabeça de Nefertiti, hoje no Museu Egípcio de Berlim, foi apenas descoberta em 1912, pela Sociedade Oriental Alemã.
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