Ano Novo

Todos os anos, perto da meia-noite do dia 31 de dezembro, milhões de pessoas fixam a sua atenção nos relógios para não perderem o momento em que deixam atrás um ano mais. O alvoroço coletivo desses minutos é o reflexo da esperança de melhores dias no Ano Novo que chega. Sem dúvida, a ideia de Ano Novo encerra o abandono daquilo que é velho e não se quer transportar para o reino do novo, em que se abraçam promessas e propósitos de mudança.

É nesses momentos de grande entusiasmo, capaz de se apoderar até dos mais céticos, que as pessoas costumam rever a sua lista particular de boas intenções, recuperando esperanças antigas, sempre adiadas pelo peso do quotidiano, e reiterando propósitos para se converterem em versões melhoradas de si mesmas.
No quadro das civilizações que adotaram o calendário anual gregoriano, de base solar, a maior parte dos países do mundo celebra a transição de um ano para outro à meia-noite do dia 31 de dezembro. No entanto, nem toda a humanidade o faz nesse dia. Há muitos povos que se regem por calendários de base lunar, o que determina as diversas datas do fim do ano.

Na China, por exemplo, o Ano Novo comemora-se na segunda lua nova depois do solstício de inverno setentrional, que ocorre por volta do dia 21 de dezembro, propiciando assim que o dia de Ano Novo possa ocorrer entre 21 de janeiro e 21 de fevereiro.

No Vietname, o ano novo designa-se por Tet e celebra-se na mesma data do ano chinês.

Os judeus celebram o seu novo ano, a festa de Rosh Hashanah, em setembro, com data variável segundo o seu calendário lunar.

O Losar, ou novo ano tibetano, ocorre entre janeiro e março, enquanto nos países com maioria da população fiel à igreja ortodoxa, a velha data do calendário juliano se mantém como dia de Ano Novo: 14 de janeiro.

Na Tailândia, Camboja, Birmânia e no estado indiano de Bengala celebra-se o Ano Novo a 15 de abril.

Entre os Hindus, o novo ano comemora-se dois dias antes do festival religioso de Diwali, em meados de novembro.

Há, pois, muitas e diferentes datas de comemoração de Ano Novo neste nosso mundo, mas, na verdade, a expansão cultural do Ocidente, a partir do século XVI, acabou por determinar que a data de 1 de janeiro do calendário gregoriano se tornasse a data mais comemorada como dia de Ano Novo em todo o mundo, mesmo em países que se regem por um calendário diferente, com datas festivas próprias.

Em virtude do fuso horário em que se situa geograficamente, o Oceano Pacífico é o primeiro lugar da Terra a receber o Ano Novo. A partir daí, as comemorações expandem-se a todo o planeta, sendo as mais conhecidas as de Sidney, Nova Iorque, Londres, Rio de Janeiro e São Paulo, entre tantas outras grandes metrópoles. Em alguns países, o Ano Novo recebe-se em clima de inverno, noutros de verão, mas sejam quais forem as condições meteorológicas, a festa emerge e reina em toda a parte, nas ruas e praças, nas praias, nas discotecas, nas casas.

Tradições e rituais da passagem de ano no mundo

Para iluminar esse mágico momento de viragem de um ano para outro no calendário das nossas vidas, não faltam as tradições e os rituais a cumprir, certamente diferentes nas diversas culturas deste pequeno grande mundo que é a nossa Terra.

Entre muitos outros, lembremos, por exemplo, em Portugal, o ritual de comer doze uvas-passas, com os seus doze desejos, ao som das doze badaladas da meia-noite; na Colômbia, a corrida à volta do quarteirão onde se vive, ao bater da meia-noite, para chamar as viagens que se desejam no novo ano; no Canadá, o “mergulho do urso polar”, tradição seguida pelos mais valentes, metendo-se nas águas geladas do mar ou dos rios para afiançar promessas e propósitos para o novo ano; no Camboja, a tradição manda que crianças e adolescentes lavem os pés dos seus pais e avós, para assim obterem as suas bênçãos para o novo ano que chega; na China é costume fazerem-se grandes limpezas em casa, desde alguns dias antes da passagem do ano, para assim começar um ano limpo, deixando o que não presta para trás; no Equador são tradicionais as fogueiras em que se queima tudo aquilo que não se quer levar para o novo ano; nas Filipinas é obrigatório comer coisas redondas na passagem de ano, significando os círculos a prosperidade, a continuidade e o infinito; na Finlândia é costume derreter-se um pouco de estanho e atirá-lo à água fria para observar a forma como solidifica e assim poder interpretar e prever como será o novo ano; na Índia há, pelo menos, três dias de Ano Novo diferentes, a 1 de março no sul do país, a 1 de outubro no centro e no leste e a 14 de abril entre a comunidade tâmul, sendo que todos incluem lamparinas, incenso e fogo-de-artifício para afastar as forças do mal; em Itália, na zona de Nápoles, atiram-se pela janela objetos velhos para se livrar do que é pernicioso; no Japão enviam-se milhões de cartões de Ano Novo e a tradição manda que os adultos deem dinheiro às crianças; na África do Sul é comum atirar pelas janelas e portas móveis velhos ou usados, que serão substituídos no novo ano.

Existem muitas tradições e rituais diferentes por este mundo fora, sem dúvida, mas há um elemento encantatório que parece repetir-se em todo o lado, dominando o espírito festivo da passagem de ano: o fogo-de-artifício, expressivo de explosão de alegria, de nova luz contra a obscuridade, de fogo purificador dos males que se deixam para trás e inspirador do bem que se espera alcançar no novo ano.
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