Anos 60: O Aparecimento de Uma Nova Mentalidade

Nos anos 60 do século XX ocorreram uma série de transformações na mentalidade em todo o mundo devido aos mais diversos fatores, desde o movimento hippy ao surgimento da pílula contracetiva. De facto, foi precisamente no ano de 1960 que foi lançada no mercado a primeira pílula anticoncecional, tendo conhecido um êxito retumbante a nível mundial, uma vez que permitia impedir a conceção de uma forma mais segura que até então. Assim, conheceram os hábitos sexuais uma grande alteração face à moral sexual conservadora, facilitando-se e difundindo-se as relações pré e extra-matrimoniais. Oito anos depois, com os movimentos estudantis e a "revolução sexual" potenciou-se o conhecimento intrínseco e completo da natureza sexual do ser humano, sem tabus, e a difusão dos demais métodos anti-conceptivos (preservativo, DIU, pílula masculina) e de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. Entretanto, um novo ícone feminino, imitado pela generalidade das mulheres, impunha-se em Hollywood: Marilyn Monroe, que simboliza o apetite do público por um ideal esteticamente agradável e pleno de sensualidade, tendo-se notabilizado neste sentido também atrizes como Jayne Mansfield e Elizabeth Taylor. A minissaia, invenção da estilista britânica Mary Quant, assim como o "monoquini" e o penteado "à pajem", andrógino, dos Beatles causou grande impacto nos anos 60, contribuindo para um autêntico choque e uma revolução dos cânones morais e estéticos. Paralelamente, a literatura preocupa-se com os tempos instáveis e difíceis que se viviam (como foi o caso de escritores portugueses sob o regime salazarista, como Virgílio Ferreira e Fernanda Botelho). Em 1963, o discurso I have a dream, de Martin Luther King, marcava um importante ponto de viragem histórica nos Estados Unidos, em que a discriminação racial começava a ser contestada pelos negros e condenada em alguns casos, apesar de se ter manifestado uma grande resistência por parte de determinados setores da população e do governo. Sendo a de Luther King uma forma pacífica de reação (que conseguiu que o presidente americano Lyndon Johnson aprovasse em 1964 a lei contra a discriminação racial), não o foram contudo as revoltas nos guetos negros, cuja principal figura foi Malcom X e causou uma série de confrontos com muitas vítimas. Sendo um conflito racial muito frequente, também o musical norte-americano West Side Story, de Leonard Bernstein e Robert Wise, retratou a dificuldade do amor de dois jovens que pertenciam a bandos raciais antagonistas (ianques e porto-riquenhos). Foi também em 1964 que se deu, após vários séculos de desentendimento, o encontro entre o papa Paulo VI, representante da Igreja Católica, e Atenágoras I, patriarca de Constantinopla e chefe da Igreja Ortodoxa, pelo que se inaugurou uma nova era de ecumenismo e compreensão mútua. Frank Zappa causava uma autêntica revolução musical na América, ao instituir um novo e bombástico estilo musical com letras que criticavam a sociedade, a religião, a hipocrisia e o governo, sendo muitas vezes rudes e obscenas mas que atingiram um enorme êxito além-fronteiras e foram largamente imitados (Zeca Afonso em Portugal, e Joan Baez em França por exemplo). O artista Andy Warhol, por seu lado, procurou através da pop art, usando fotografias de desastres publicadas na imprensa, alertar para a efemeridade da fama e a crueldade e atrocidades vividas todos os dias, além de criticar o consumo pintando objetos quotidianos (latas, notas de dólar...) Tal foi também um dos aspetos criticados pelo movimento hippy, ao adotarem um modo de vida ligado à natureza e à manufatura dos objetos que necessitavam, tendo por outro lado inaugurado sobretudo nos EUA uma época de excessivo consumo de drogas e alteração da estrutura social (uma vez que se criaram as comunas hippies, onde imperava o amor livre e morriam constantemente pessoas com overdose), devidas principalmente à insatisfação com o modo de vida corrente de determinados extratos sociais e com a política de guerra (no Vietname) do país. A partir de 1969 um novo tipo de filme, inaugurado por Easy Raider do norte-americano Dennis Hopper, plasma também no ecrã esta vontade de liberdade e descompromisso com a responsabilidade, ao apresentar um grupo de jovens que fazem uma viagem entre Los Angeles e Nova Iorque e praticam todo o género de excessos, desde a droga ao sexo, acabando por morrer alguns dos intervenientes. Tendo conhecido um êxito estrondoso, critica-se também o puritanismo e a incompreensão de núcleos sociais mais conservadores perante o avanço e as necessidades dos novos tempos.
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