antissemitismo

A designação antissemitismo surgiu por volta de 1870, tendo sido utilizada pela primeira vez por Ernest Renan. Radica na ideia ou no mito mais antigo de que os judeus são "os assassinos de Cristo" e inimigos dos cristãos, uma distorção da História por parte dos primeiros cristãos que, receosos da perseguição romana, imputaram aos judeus a responsabilidade pela morte de Cristo.
Esta crença foi responsável por cerca de dois milénios de perseguição da nação judaica. Na Europa da Idade Média, os judeus eram o bode expiatório, responsabilizados por todas as catástrofes, naturais ou outras, e foram objeto de segregação e de perseguição que resultaria frequentemente em expulsão ou morte. Na Europa foi relevante a perseguição dos judeus em Portugal, Espanha e França pela Santa Inquisição, tribunal eclesiástico criado no século XII para combater as heresias, as bruxarias e as manifestações contrárias à Igreja, que levou à conversão forçada e à morte pela fogueira. Em 1492, cerca de 150 mil judeus foram expulsos de Espanha, refugiando-se muitos deles em Portugal onde foram forçados à conversão ao catolicismo, embora muitos fugissem para a Europa, Norte de África, Oriente e Novo Mundo.
A Península Ibérica era chamada de Sefarad desde tempos muito antigos e nela a presença dos judeus verificou-se muito antes do nascimento de Cristo, o que fundamentou a pretensão de alguns judeus que protestaram relativamente ao pagamento de impostos equivalentes às trinta moedas pelas quais Judas teria vendido Cristo, dizendo que os antepassados das suas famílias não teriam sido responsáveis por tal atitude. Os judeus da Península Ibérica designavam-se a si próprios como sefarditas, tinham um dialeto próprio, o "ladino", e usufruíram, nos sete séculos em que durou o Al Andaluz, talvez do único período de paz e coexistência pacífica com ao povos das restantes religiões muçulmana e cristã da Península. Com a progressiva consolidação da Reconquista Cristã na Península, a partir do século XII, assistiu-se tanto a migrações voluntárias como a expulsões forçadas que levaram à criação de uma diáspora judaica, uma nação fisicamente dividida e sem país, até à constituição do Estado de Israel, no século XX, resultado de migrações progressivas de judeus de regresso à sua "pátria espiritual e ancestral", na Palestina, a partir de meados do século XIX, que constituiu o cerne da versão moderna do movimento sionista que tem como principal objetivo a "aliya", ou seja, o regresso dos judeus a Israel. O antissemitismo atingiu o seu ponto mais grave com o holocausto da Segunda Guerra Mundial, durante o III Reich alemão, um verdadeiro genocídio que pretendia eliminar a totalidade da comunidade judaica na Europa e que vitimou seis milhões de judeus entre os anos 1939 e 1945.
Esta atitude criminosa reforçou os argumentos por parte dos judeus relativamente à consolidação da legitimidade do estado de Israel e ao mesmo tempo agravou a relação entre judeus e árabes, ambos reclamando a mesma terra como pátria com as consequências nefastas que se conhecem.
Muitos dos movimentos antissemitas de hoje ainda se baseiam num documento publicado em 1903, na Rússia, "The Protocols of the Learned Elders of Zion", que pretendia ser o resultado de uma conspiração secreta por parte dos judeus para dominar o mundo, através da apropriação das principais instituições financeiras. Usado inicialmente pelos czares russos para justificar algumas políticas repressivas relativamente aos judeus, foi depois também utilizado pelo industrial dos EUA Henry Ford, que fez publicar no seu jornal ataques constantes aos judeus, atitude da qual se retratou mais tarde. Apesar de ter diminuído significativamente após a Segunda Guerra Mundial, o antissemitismo continua vivo e forte tanto na Europa, como na América e nos países árabes.
Como referenciar: antissemitismo in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-23 04:02:04]. Disponível na Internet: