António Botto

Poeta, ficcionista e autor dramático português nascido a 17 de agosto de 1897, em Casal da Concavada (Abrantes), e falecido a 17 de março de 1959, no Rio de Janeiro. Começou por ser empregado numa livraria de Lisboa e, depois de uma curta estadia em Angola, foi funcionário público, até, em 1942, ser expulso do cargo que ocupava e optar por um exílio voluntário no Brasil. O seu nome encontra-se associado ao modernismo português, tendo recebido de elementos do Orpheu palavras de encarecimento, nomeadamente de Fernando Pessoa - que traduziria para inglês as Canções - e Raul Leal, admiração que transitaria para o segundo modernismo em estudos de Régio e Casais Monteiro. Projetado como caso público, após a apreensão do segundo volume de Canções (1922), o confessionalismo amoroso dessas composições, colocado ao serviço de uma homossexualidade assumida, gerou uma acérrima polémica de teor essencialmente moral em torno da sua postura literária. Refundidas nas suas sucessivas edições, as Canções surpreendem pela conjugação de uma aparente espontaneidade, conseguida pela simplicidade de vocabulário e pela variação métrica, com a minúcia de análise emocional com que desfibra cada ínfimo ou repetido episódio da relação amorosa. A modernidade de António Botto reside precisamente na capacidade de, ao tratar um tema eminentemente subjetivo, como a confissão amorosa, intelectualizar esse caso íntimo, decompondo com ironia ou refletido desalento as reações do sujeito poético, a ponto de anular, pela lucidez com que se expõe, o sentimentalismo de que parte.
Os seus livros de poesia posteriores - entre eles: Motivos de Beleza (1923), Curiosidades Estéticas (1924), Pequenas Esculturas (1925), Baionetas da Morte (1936), A Vida Que Te Dei (1938), Os Sonetos e O Livro do Povo (1944) - foram sendo acrescentados às várias edições das Canções.
António Botto possui ainda uma faceta menos considerada como autor dramático, com melodramas de inspiração populista e naturalista, Flor do Mal, de 1923, António, editado em 1933, Alfama, publicado em 1935, e Nove de abril, de 1938. É ainda autor de obras de literatura infantil, tendo redigido pequenas narrativas exemplares para crianças nas quais predominam a fantasia, um tom ingénuo e coloquial.
Como referenciar: António Botto in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-02-18 22:10:51]. Disponível na Internet: