António Ferreira

Nasceu em Lisboa, em 1528. Foram seus pais Martins Ferreira, escrivão de fazenda do Duque de Coimbra, (D. Jorge de Lencastre), e Mexia Froes Varela. Estudou em Coimbra, em cuja Universidade se formou em Leis. Aí encontrou mestres, como Diogo de Teive, que ensinava Humanidades e com quem versou as Literaturas greco-romanas, e Jorge Buchanan; paralelamente, Sá de Miranda fazia a propaganda do dolce stil nuovo praticado pela escola italiana.
António Ferreira correspondeu-se com os expoentes do Humanismo de então: Diogo de Teive, Buchanan, Sá de Miranda, Diogo Bernardes e Pero Vaz de Caminha, entre outros. Fez de Horácio o seu livro de cabeceira, chamando-lhe familiarmente o meu Horácio, a quem obedeço.
Aos 28 anos foi desembargador da Relação de Lisboa. Em 1556, casou com D. Maria Pimentel, que morreu prematuramente. À sua morte dedicou o poeta sentidos sonetos. Em 1564, casou com D. Maria Leite e viveu algum tempo nas propriedades do sogro, em Mirandela. Em 1569, sucumbiu ao contágio destruidor da peste. A viúva recolheu-se a Cabeceiras de Basto com dois filhos de tenra idade. Escreveu teatro clássico, tendo-nos deixado as comédias Bristo e Cioso e a tragédia A Castro. Os seus textos líricos foram publicados por seu filho Miguel Ferreira em 1598, com o título de Poemas Lusitanos. Nunca usou a medida velha nem a língua castelhana, aperfeiçoou a carta e a elegia, introduziu de novo a ode, o epigrama e o epitalâmio.
Cantou o amor à maneira petrarquista, foi grande apologista da aúrea mediania, da superioridade das Letras sobre as Armas, do magistério dos escritores sobre a sociedade e da língua portuguesa.
Discípulo de Sá de Miranda, depois de Camões, foi ele quem mais enriqueceu o nosso idioma.
Como referenciar: António Ferreira in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-02-18 22:11:57]. Disponível na Internet: