António Gonçalves

Poeta e escritor angolano, António Domingos Gonçalves nasceu a 10 de agosto de 1960, em Luanda.
Tendo concluído um curso pré-universitário da área das ciências físicas, matriculou-se na Faculdade de Ciências e de Engenharia da Universidade Agostinho Neto, o que lhe abriu as portas da docência.
Amante das letras, sentiu desde muito cedo o apelo da escrita. Começou a escrever em 1973, concluindo o seu primeiro livro, em prosa, intitulado Cenas que o Musseke conhece em 1978, o qual ainda se mantém inédito. Entrando para a Brigada Jovem de Literatura (BJL) em 1980, é, neste mesmo ano, contemplado com a publicação do seu poema "Reflexão" na antologia O Caminho das Estrelas. Nova Poesia Para Agostinho Neto, dedicada ao fundador e primeiro presidente da República da Angola Independente, o poeta Agostinho Neto.
A partir de então, dedica-se quase em exclusividade à produção literária.
A poética de António Gonçalves, poeta da "Geração de 80", faz "jus" à denominação de "Geração das Incertezas" atribuída pelo ensaísta Luís Kandjimbo a este grupo de jovens escritores que começaram a publicar os seus textos a partir de 1980. De facto, como a obra de outros poetas conceituados desta geração, a saber, entre outros, Ana Paula Tavares, Jorge Macedo, Lopito Feijoó, Ana de Santana, os seus textos são perpassados por uma temática dominada pela incerteza face ao futuro, projetada através de um "eu lírico" insatisfeito e desiludido que não aceita o desnorteamento político e social seguido pelo poder instaurado no seu país.
Deitando um "olhar" angustiado sobre a situação de fome, de miséria e de desrespeito pelos direitos humanos, este "sujeito lírico" utiliza o texto poético como forma de catarse da sua frustração e deceção.
Temáticas nucleares da sua obra, o desgosto e a desilusão materializam-se, na sua obra poética, através da metaforização do Mar que, revelando-se numa dualidade, surge simultaneamente como a hipótese de liberdade aberta para o infinito e como a barreira obstaculizadora impossível de transpor devido à situação de guerra e de corrupção.
Poeta conceituado, o seu nome figura em diversas antologias poéticas, nomeadamente a brasileira intitulada Antologia do Mar na Poesia Africana de Língua Portuguesa do Século XX, coordenada por Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco, publicada pela Editorial Kilombelombe, aquando da comemoração dos vinte cinco anos da Independência de Angola.
Membro da União de Escritores Angolanos (UEA), António Gonçalves escreveu: Cenas que o Musseke conhece (inédito, 1978); Gemido de Pedra (1994); Versos Libertinos (1995); Adobe Vermelho da Terra (1996) e Buscando o Homem. Antologia Poética (2000).
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