António Lobo Antunes

Escritor português nascido a 1 de setembro de 1942, em Lisboa.

Licenciado em Medicina e especializado em Psiquiatria, exerceu atividade clínica durante a guerra colonial em Angola, e, posteriormente, em Lisboa, no Hospital Miguel Bombarda.

Acabou posteriormente por consagrar-se quase exclusivamente ao ofício da escrita, vontade expressa desde os princípios da sua adolescência. Como ele próprio afirmou, tirou a especialidade de psiquiatria por considerar que tem parecenças com a literatura.

Nos primeiros livros publicados explorou a experiência da Guerra Colonial e com Os Cus de Judas conseguiu um sucesso notável, tornando-se um dos mais traduzidos e internacionalmente reconhecidos romancistas portugueses contemporâneos, tendo sido o convidado de honra do "Carrefour des Littératures" realizado em maio de 2002.

A partir desse romance - conclusão de uma trilogia de inspiração autobiográfica que, com Conhecimento do Inferno e Memória de Elefante, descrevia uma descida aos infernos, desde a experiência da guerra colonial até à perda do amor e ao regresso a um mundo de loucos - Lobo Antunes aperfeiçoou, durante a década de oitenta, uma cada vez maior desenvoltura na subversão das convenções narrativas, quer do ponto de vista temático quer formal, o que culminaria com o fulgurante sucesso de Auto dos Danados, editado em 1985, obra galardoada com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores.

O constante cruzamento de vozes e a multiplicação dos pontos de vista; o livre encadeamento dos substratos temporais; a desarticulação da sintaxe narrativa; a metaforização insólita e frequentemente erotizada das descrições; a auto-referencialidade e intertextualidade; a versatilidade de articulação de diversos registos de linguagem e a utilização de um léxico sem censuras, frequentemente agressivo e injurioso; ou a individualização de anti-heróis através dos quais se perspetiva uma realidade abjeta, social, histórica e moralmente degradada, são alguns dos traços que consubstanciaram, desde então, a novidade trazida pela novelística de António Lobo Antunes.

Ao mesmo tempo, a autognose cruel do país pré e pós-revolucionário é feita com uma violência e negatividade tais que visam, não o lirismo de uma revolta impotente, mas, pelo contrário, tocando o humor negro, a anulação de qualquer sentimentalismo na dessacralização das imagens de um passado recente e na análise lúcida da loucura e desmoronamento coletivos.

A memória do passado serviu de pretexto para a reflexão sobre as relações humanas em Tratado das Paixões da Alma (1990) e a sua visão pessimista da vida confirmou-se com A Morte de Carlos Gardel (1994). Em 1996 foi publicado Manual dos Inquisidores, e, em 1997, O Esplendor de Portugal.

Em 1999 escreveu Exortação aos Crocodilos, romance com que foi proposto para o Prémio Nobel da Literatura, e, em 2000, Não Entres tão Depressa Nessa Noite Escura.

Na edição dos prémios União Latina de 2003, o escritor foi distinguido com o prémio de Literatura pelo conjunto da sua obra, que foi definida pelo presidente do júri como "a voz mais expressiva" da realidade portuguesa. Em reconhecimento do seu valor, foi também galardoado com o Jerusalem Prize 2004.

No ano de 2004, pelo seu livro Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo (2003), foi galardoado com o prémio Fernando Namora. Ainda no mesmo ano lançou um novo livro, intitulado Eu Hei de Amar uma Pedra, apresentado durante a comemoração dos seus 25 anos de carreira no Teatro S. Luiz, em Lisboa.

No dia da cerimónia de entrega do prémio Fernando Namora (2004), a 25 de janeiro de 2005, organizada no Teatro Auditório do Casino Estoril, Lobo Antunes foi condecorado pelo Presidente da República Jorge Sampaio com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago, a mais importante condecoração portuguesa atribuída às áreas de letras, artes e ciências. Ainda no mesmo ano, em fevereiro, foi homenageado com o Jerusalem Prize 2005, pelo conjunto da sua obra.

Posteriormente, foi galardoado com o Prémio Ibero-Americano de Letras José Donoso (Chile, 2006), o Prémio Camões (2007) e, em 2008, os prémios Terenci Moix (Espanha) e FIL de Literatura/Juan Rulfo, um dos mais importantes do panorama literário latino-americano.
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