António Ramalho Eanes

Militar do Exército português, António dos Santos Ramalho Eanes nasceu a 25 de janeiro de 1935 em Alcains, Castelo Branco. Oficial da arma de Infantaria, com várias comissões de serviço nas guerras de África, encontrava-se em Angola no momento em que eclodiu o golpe militar de 25 de abril de 1974. Não tendo naquele momento qualquer posição proeminente no Movimento das Forças Armadas (MFA), não era no entanto um desconhecido, já que tivera posição ativa e de destaque apenas um ano antes, ao repudiar a realização de um Congresso dos Combatentes organizado por militares apoiantes da continuação da guerra a todo o custo.
Após a vitória da Revolução, as funções que é chamado a desempenhar são de âmbito civil: primeiro diretor de programas e depois presidente da Radiotelevisão Portuguesa. Acusado de colaboração no golpe spinolista frustrado de 11 de março, é alvo de um inquérito por ele próprio exigido, e ilibado. Discreto, a opinião pública ignora-o praticamente até ao dia em que uma sucessão de golpe e contra-golpe militares o colocam em grande evidência: Eanes surge como o organizador da resistência ao golpe das forças de esquerda e ganha instantânea popularidade por esse motivo. A sua vitória nesse confronto justifica a sua nomeação para o posto de chefe do Estado-Maior do Exército, o que lhe permite intervir decisivamente na reorganização das forças militares, que regressam aos quartéis e abandonam a política, e na redação e aprovação da Lei Constitucional das Forças Armadas, que institucionaliza a despolitização das mesmas. É armado com o prestígio conquistado que concorre às eleições presidenciais, sendo eleito para dois mandatos sucessivos, por maiorias amplas (61% no primeiro mandato e 56% no segundo).
Os dez anos da sua presidência, de 1976 a 1986, são, apesar da consolidação institucional da democracia representativa, anos de instabilidade política acentuada - Eanes nomeará seis Governos, experimentando diversas combinações, de acordo com resultados eleitorais e pleitos parlamentares (governo monopartidário e coligações), tendo mesmo recorrido a governos da sua própria responsabilidade, sem êxito duradouro. Foram notórias as suas dificuldades de relacionamento pessoal e político com diversos políticos e mesmo com chefes de Governo, particularmente com Mário Soares. Ao aproximar-se o final do seu segundo mandato, a desilusão com a classe política leva-o a apadrinhar a constituição de um novo partido (Partido Renovador Democrático - PRD), que obteve resultados surpreendentemente elevados no primeiro escrutínio a que se submeteu, mas que viria também ele a decair e a dissolver-se.
Eanes não se afastaria inteiramente da vida política ativa, tendo mesmo chegado a ponderar a possibilidade de se apresentar a nova candidatura presidencial em 1995 mas desistindo de o fazer por considerar que a situação que se vivia não lhe deixava espaço político suficiente para afirmar um projeto autónomo.
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