Arthur Schnitzler

Escritor e homem de letras austríaco, de etnia judaica, nascido a 15 de maio de 1862, na cidade de Viena. Filho de um conceituado otorrinolaringologista, foi por ele desencorajado nas suas aspirações precoces à escrita.
Deambulou alguns anos pelos cafés e tertúlias de Viena, conhecendo personalidades da vida intelectual da cidade. Publicou o seu primeiro livro em 1889, Episode, a que se seguiram muitos outros, sobretudo peças de teatro, assinadas com o pseudónimo de Loris, e que estrearam em Praga, na época reputada pela sua comunidade judaica de língua alemã.
Não obstante, só se tornou célebre na sua Áustria natal e na Alemanha depois da estreia de Libelei, em 1895, ano em que também publicou Sterben (1895), romance em que descrevia o chamado fluxo de consciência de uma jovem moribunda. Seguiu as pisadas do pai, licenciando-se em Medicina pela Universidade de Viena também em 1895 e, apaixonando-se pela Psiquiatria, escreveu uma tese sobre o tratamento hipnótico das neuroses, grandemente influenciado por Sigmund Freud, seu amigo pessoal, cujas ideias se tornaram o marco da obra de Schnitzler.
Em 1912 estreou a peça Professor Bernhardi, mas a sua visão dos judeus, despegados de convicções, fez com que a peça fosse interdita até 1918. O romance Traumnovelle (1925) contava a história da mulher de um médico que, acordando uma manhã, conta ao marido o sonho que teve sobre as suas fantasias sexuais, confissão que vai despoletar o fim do casamento. Em Fräulein Else (1926), Schnitzler relatava o monólogo de uma jovem que é obrigada a mostrar-se nua a um amigo do pai, como forma de pagamento das suas dívidas. Acedendo ao dever filial, acaba no entanto por se reservar o direito ao suicídio.
Em 1930 sofreu um grande e irremediável desgosto, quando a sua própria filha se suicidou.
Faleceu a 21 de outubro de 1931, em Viena. Durante o Anschluss (anexação da Áustria à Alemanha), as suas obras foram interditas pelo Partido Nacional-Socialista.
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