As Comunidades Rurais do Vale do Indo

A civilização do Indo baseava a sua economia na agricultura. A maior parte da população vivia em aldeias distribuídas à volta das cidades. Graças às inundações, que traziam sedimentos, e à existência de um sistema de rega, os agricultores cultivavam trigo, cevada, vegetais, frutas e sésamo, assim como mostarda para conseguir azeite. Nas proximidades de Lothal, praticava-se a cultura do arroz, que viria a alcançar uma importância extraordinária na história posterior da Índia. Por outro lado, o algodão começou a cultivar-se no vale do Indo vários séculos antes do Egito. No que diz respeito aos animais, destacam-se as ovelhas, os bovídeos, búfalos e porcos. O achado de ossos e os desenhos nos selos apontam também para a domesticação do gato, o cão, o camelo, o cavalo e o elefante.
Os agricultores deviam entregar grande parte das suas colheitas aos celeiros públicos. Talvez o acesso à propriedade da terra estivesse muito limitado, e os agricultores eram, assim, empregados diretos das autoridades da cidade. Quanto a obras públicas da cidade e do campo, não sabemos se se tratava de um trabalho obrigatório ou, pelo contrário, se se pagava em espécie a quem os realizasse. Os problemas derivados da irregularidade do curso dos rios e das inundações, que podiam provocar fomes em vez de boas colheitas, solucionava-se graças ao armazenamento de cereais. Sem dúvida, a madeira das árvores para aquecimento e o pastoreio cada vez mais intenso podem ter alterado as condições naturais. Mohenjo-daro foi reconstruída nove vezes depois de outras tantas inundações.
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