As Redes Comerciais e as Colónias dos Fenícios

Os Fenícios, que na sua origem eram pescadores e agricultores agrupados em diversas comunidades, transformaram-se ao longo do tempo em comerciantes. Uma das causas para o desenvolvimento pode ter sido a chegada de grande número de imigrantes ao território.
Os Fenícios tinham a fama de ser os melhores marinheiros da antiguidade provenientes das cidades costeiras que se aventuravam no mar com os seus barcos a remos. Desde o terceiro milénio que Gebal tinha contactos comerciais com o Egito. A cidade de Ugarit de fins do III milénio tornou-se um polo importantíssimo devido às redes comerciais que estabeleceu com o Egito e com Creta, o que se comprova pela enorme atividade construtiva de palácios e templos e pelo elevado estatuto social dos mercadores, cujas habitações apresentavam um certo luxo. Os marinheiros de Tiro foram os primeiros a atingir o Estreito de Gilbraltar e aí marcaram os confins da terra (Colunas de Hércules). Posteriormente ultrapassaram essa marca. No I milénio a. C. saem do Mediterrâneo e alcançam a costa ocidental de África, onde conheceram os atuais Camarões.
Navegando em tão amplas extensões foi necessário fundar colónias através das quais estabeleciam relações comerciais com os habitantes locais (posteriormente, a Grécia também utilizaria este sistema). Assim, não raras vezes de forma violenta, as colónias espalharam-se pelas costas africanas, espanholas e da Ásia Menor, transformando-se rapidamente em cidades. Uma das colónias mais importantes fundadas pelos Fenícios foi Cartago (Kart Hadash), que se tornou a grande cidade comercial do Mediterrâneo, suplantando Tiro, a sua cidade-mãe. Por esta colónia passavam os produtos provenientes das rotas de caravanas que atravessavam o Sara - marfim, ouro, escravos e pedras preciosas. A outra colónia de grande relevância foi Gades (Cádis). O método comercial utilizado era a troca. Era possível comerciar todo o tipo de objetos: trípodes, caldeirões em bronze, armas, vidros, joias, marfins, etc. O comércio encontrava-se nas mãos da aristocracia.
No período de trezentos anos em que a Fenícia foi submetida pelos Egípcios e pelos Hititas (meados do II milénio), entrou em decadência agravada pela invasão dos povos das ilhas do Mar Egeu. Recupera a sua antiga independência com o enfraquecimento dos Egípcios no século XIII, tendo sido Tiro a cidade que mais se destacou. Era detentora de uma frota mercante que lhe possibilitou o comércio em todo o Mediterrâneo, estabelecendo o seu monopólio.
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