Ásio-americanos

A corrida ao ouro nos EUA, em meados do século XIX, fez com que cerca de 200 mil chineses ocupassem progressivamente postos de trabalho na extração dos minérios, na construção dos caminhos de ferro e na agricultura, contribuindo de forma decisiva para um desenvolvimento mais rápido da nação americana. Uma posterior crise económica fez com que estes trabalhadores fossem perseguidos por movimentos segregacionistas e leis de exclusão que, em 1882, detiveram a imigração de origem chinesa. O recrutamento de trabalhadores japoneses, em 1882, teve os mesmos resultados de perseguição e exclusão, acabando por verem a sua entrada nos EUA restringida em 1908 e apenas autorizada a mulheres, o que provocou o nascimento de uma nova geração de nipo-americanos. Os imigrantes asiáticos que se seguiram, oriundos da Coreia e da Índia, tiveram o mesmo tipo de tratamento e, em 1924, todos os imigrantes asiáticos passaram a ser considerados "inelegíveis para a cidadania" e impedidos de entrar no país. Até 1934, os filipinos foram os únicos asiáticos a serem aceites no mercado de trabalho com um estatuto especial de cidadãos norte-americanos, até que o seu trabalho deixou de ser necessário, sofrendo depois a mesma sorte de exclusão.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os americanos de ascendência japonesa foram detidos e confinados a campos de relocação. Depois da guerra, a imigração asiática esteve sujeita a quotas mínimas de cem pessoas por país e por ano, o que não incluía as "esposas de guerra" dos soldados americanos de origem asiática, que contribuíram para o aumento de famílias interétnicas. A partir de 1965, as quotas de imigração foram alargadas a 20 mil pessoas por país, o que fez com que na década de 80 cerca de dois milhões de asiáticos imigrassem para os EUA. Os refugiados do Vietname, Camboja, Laos, Tailândia e Burma, uma consequência da guerra do Vietname, constituíram um fluxo de cerca de um milhão de pessoas, elevando o número total de ásio-americanos para cerca de sete milhões em 1990, números oficiais.
Existem grandes diferenças também entre os indivíduos de cada nação, sendo que os fluxos mais recentes de imigração apresentam níveis de formação mais elevados do que a maior parte dos seus compatriotas anteriores. A imigração do Japão, em tempos dominante, deixou de ser significativa dado o desenvolvimento económico verificado naquele país.
O reflexo mais visível da cultura asiática na sociedade americana está na gastronomia e nos inúmeros restaurantes chineses, japoneses e indianos que povoam as ruas das grandes cidades. Uma das características das famílias asiáticas é a importância dada à educação e à formação dos seus filhos, mas a reduzida mobilidade social faz com que se dediquem maioritariamente aos negócios da restauração, lojas, hotéis e pequenas fábricas de confeção. Em conclusão, apesar de terem passado quase duzentos anos sobre as primeiras levas de imigrantes asiáticos, as suas culturas nunca foram, verificando-se ciclicamente pontos críticos de exclusão e racismo sempre que ocorrem crises económicas.
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