Baal

Deus venerado por muitas comunidades, também conhecido como Bol, Bel, Bal entre os povos da Antiguidade (vd. Mitologia da Mesopotâmia e da Pérsia), Belas para os latinos e Belus (Hércules ou Zeus) para os gregos, as suas características variavam mais ou menos segundo as tribos que o adoravam. Relacionado com a fecundidade e associado muitas vezes a Ishtar, era venerado principalmente na Pérsia e na Mesopotâmia e as cerimónias tinham um carácter orgiástico. Aparece frequentemente mencionado na Bíblia.

Em Canaã era muito venerado como deus do Trovão. O seu nome é uma palavra semítica que significa "senhor" ou "dono", sendo inicialmente um título que depois se tornou nome próprio.
Havia vários deuses Baal, para diversas tribos, como se pode verificar no Velho Testamento em que se refere "o Baal" de cada tribo; daí que se empregue também o plural, Baalim. Apesar da diversidade, os Baalim tinham características mais ou menos semelhantes.

O Baal era filho de Dagon, o deus das Sementeiras e renascia por vezes na primavera depois de morrer no outono, representando o ciclo da fertilidade sendo-lhe oferecidos por isso os primeiros frutos. Como estava associado à fecundidade era acompanhado normalmente pela deusa da sensualidade Astarte ou Astaroth (vd. Ishtar), sendo-lhes oferecidas verdadeiras orgias. O culto a estes deuses incluía também sacrifícios humanos, a preparação de bolos sagrados e exercícios brutais.

Era o que cumpria os desejos do deus Supremo, El. Dominou o deus dos Mares, Yamm, depois de uma luta terrível, e tornou as águas do mar proveitosas. O deus da Morte, Mot, fê-lo prisioneiro e levou-o para os seus domínios subterrâneos de onde foi resgatado pela sua irmã que matou Mot e trouxe o Baal para renovar a produtividade dos campos. Posteriormente tornou-se o Rei dos Infernos.

Foi cultuado na Babilónia, onde era a representação do planeta Júpiter, na Fenícia (no século VII d. C.), no Egito (durante a décima nona dinastia) e na Grécia (tinha um templo magnífico em Tiro, onde lhe tinham erigido dois pilares, como em Israel).
Em Marselha foi encontrada uma placa com as indicações dos sacerdotes para o culto.

Na Bíblia é frequente a menção a este deus, em cuja idolatria os israelitas frequentemente caíam como se pode verificar no episódio de Moisés e as Tábuas da Lei e no do reinado de Manassés, que "erigiu altares aos Baals". Também o casamento de Jezabel com o rei Ahab incrementou o culto, tendo o rei mandado fazer um templo dedicado ao deus para agradar à mulher.

No entanto, antes de o Cristianismo se tornar uma doutrina bem definida e a adoração de Baal uma idolatria, os nomes de Baal e de El (divindade que para os israelitas era o mesmo que Baal) foram atribuídos a Yavé, pois significavam "senhor" ou "deus". Eram dados às pessoas nomes que incluíam o de Baal (Meribaal), antes de se tornar uma idolatria. Também em nomes cartagineses como Aníbal se incluiu o nome do deus. Mais tarde, quando se tornou claramente uma idolatria, os nomes próprios começaram a incluir a palavra "bosheth", que significa algo de vergonhoso (Miphibosheth, Yerubbesheth).

Os Livros de Jeremias e do Deuteronómio, pertencentes à Biblia, testemunham a permanência deste culto até ao Exílio dos Judeus.
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