Batalha de Torres Vedras

A batalha de Torres Vedras data de 1846. Iniciada a Patuleia, nesse mesmo ano, o conde das Antas, presidente da junta revolucionária do Porto, na sequência das sublevações de Maria da Fonte e enquadrando dissidentes cartistas, miguelistas e setembristas, planeou atacar Lisboa e o governo ilegítimo, de inspiração cabralista, chefiado pelo Marechal Saldanha e apoiado pela rainha D. Maria II (e, militarmente, pela Quádrupla Aliança, para além de Portugal, Espanha, França e Inglaterra). Fixou-se o conde das Antas em Santarém, onde fortificou as suas posições. Receando o Marechal Saldanha, que se encontrava aquartelado no Cartaxo, não avançou de imediato para o Sul.
No início de dezembro de 1846, sabendo que Saldanha mandara atacar Ourém, o conde das Antas deu ordem ao conde do Bonfim para cortar caminho às forças do governo. Incapaz de o fazer, Bonfim dirigiu-se para Leiria, de onde já se havia retirado o conde de Vila Real. Quando chegaram novos reforços à cidade, Bonfim partiu em direção às Caldas. Saldanha, informado do movimento do inimigo, executou uma série de planos para que as tropas de Bonfim e de Antas não se juntassem.
Bonfim entrou então em Torres Vedras com o fim de deter Saldanha. Antas preparou-se para destroçar o exército do adversário, que não poderia resistir face a uma forte artilharia. Na manhã do dia 22 de dezembro, o Marechal Saldanha atacou a praça, apesar de não dispor de grande artilharia. Perante esta situação, Bonfim apelou uma série de vezes ao apoio de Antas, mas este não apareceu.
A batalha prosseguiu violentamente até às 7 horas da madrugada do dia 23 de dezembro. Bonfim, em desespero, mandou informar Antas que se este não aparecesse até ao meio-dia com as suas tropas tudo estaria perdido. Antas, ao contrário do esperado, não apareceu e Saldanha ordenou a execução dos planos. Cercou Bonfim com uma barragem de artilharia e pediu a este para se render. Bonfim disse que o faria apenas se ambos os oficiais dialogassem. Saldanha aceitou a proposta. Todavia, faltou à palavra. Mais de 1200 homens ficaram prisioneiros, tendo sido enviados para Angola nas piores condições. Perante a situação, o conde das Antas fugiu para o Porto. As tropas revoltosas perderam, consagrando a vitória cartista do governo de Saldanha, que viu a sua posição reforçada na assinatura da Convenção de Gramido, a 29 de junho de 1847.
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