Beira Baixa

A Beira Baixa, uma das onze antigas províncias tradicionais determinadas em 1936, confina com as regiões da Beira Alta a norte, da Beira Litoral a noroeste, do Ribatejo, a sudoeste, da Estremadura a oeste, e do Alto Alentejo a sul. Faz fronteira com Espanha, a leste. Abrange uma área de aproximadamente 7 800 km2 e compreende 13 concelhos: 11 do distrito de Castelo Branco, um do distrito de Coimbra e um do distrito de Santarém.
O relevo é montanhoso, com destaque para as serras da Estrela e da Gardunha, embora se encontrem também extensas áreas aplanadas, como a Cova da Beira e Idanha. O clima apresenta fortes contrastes entre o inverno, chuvoso e frio, e o verão, seco e bastante quente. Na serra da Estrela a queda de neve é frequente durante o inverno.
A agricultura da região tem beneficiado de empreendimentos hidroagrícolas, pelo que as culturas de regadio têm uma importância significativa, com destaque para a fruticultura. A Beira Baixa apresenta, nos seus principais pratos típicos, peixes de rio, lebre, perdiz e cabrito; cogumelos, castanhas e queijo da região; tigeladas e bolos de canela, de mel e de azeite.
Na economia da Beira Baixa destacam-se as indústrias de lanifícios, do fabrico de produtos alimentares e de transformação da madeira. O comércio e os serviços encontram-se desenvolvidos nas três cidades da região: Castelo Branco, Covilhã e Fundão.
A Beira Baixa manifesta diversas influências étnicas, que provêm das tradições moçárabes. As insistentes perseguições religiosas e políticas imprimiram às populações características das quais se encontram ainda traços bem definidos. As romarias nesta região são menos vivas, revelando uma certa tristeza. Um facto curioso é que, mais do que em qualquer outra região de Portugal, as festas deste povo têm um fundo acentuadamente pagão. Mas ao lado desse paganismo sobressai também o sentimento religioso, que se revela no culto à Virgem e ao Espírito Santo.
De entre os monumentos da Beira Baixa, merecem destaque o Soterrado, em Idanha-a-Velha, grande preciosidade romano-visigótica, os castelos, alguns dos quais de fundação romana ou árabe, e algumas igrejas e capelas. Os vestígios arqueológicos são numerosos em diferentes pontos da região, encontrando-se ruínas de pontes, castros, muralhas, antas e troços de estradas do período romano e de períodos anteriores.
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